Pe. Paulo Alves quer “desescolarizar” modelo e reforçar formação de catequistas

O Pe. Paulo Alves foi nomeado novo diretor do Secretariado Diocesano de Catequese pelo Bispo de Viana do Castelo, João Lavrador, assumindo como prioridade o acompanhamento do processo de renovação catequética e a formação de catequistas.

Micaela Barbosa
27 Abr. 2026 3 mins
Diácono Paulo Alves: “Trata-se de um momento de profunda responsabilidade”

Em declarações à EDUCRIS, o sacerdote enquadra a nomeação como continuidade de um trabalho já desenvolvido. “Esta nomeação está no seguimento de um trabalho que tenho vindo a realizar, que me permitiu conhecer melhor a realidade da diocese e também outras realidades a nível nacional”, afirmou.

O novo responsável sucede a uma equipa anterior cuja dinâmica reconhece, mas admite os desafios da função. “A exigência é grande” e a responsabilidade é assumida “com algum temor, consciente dos desafios que a renovação da catequese nos coloca”, disse.

Apesar disso, sublinha a importância do trabalho coletivo. “Trabalhamos em equipa e conto muito com a colaboração daqueles que caminham comigo. Estou certo de que poderemos desenvolver um trabalho consistente e fecundo”, acrescentou.

Sobre o estado atual da catequese, o sacerdote traça um diagnóstico que considera transversal ao país. “A catequese encontra-se num tempo de transição”, afirmou, apontando para a necessidade de mudança de paradigma, centrado num itinerário catequético mais alargado.

Essa transformação, defende, implica “uma verdadeira conversão pastoral” e não apenas alterações formais. “Não se trata apenas de mudar materiais, mas de assumir uma nova forma de fazer catequese”, sublinhou.

Entre as mudanças apontadas está a necessidade de abandonar uma lógica próxima da escola. “A catequese precisa de se desescolarizar, deixar de ser entendida como uma aula e tornar-se progressivamente um encontro, uma experiência, uma caminhada de descoberta”, afirmou.

Neste processo, os catequistas são vistos como peças centrais. “São os primeiros agentes desta transformação”, disse, defendendo que é essencial ajudá-los a compreender que “a catequese é um caminho contínuo, vivido ao longo dos anos, e não apenas um programa a cumprir”.

O sacerdote identifica também dificuldades na assimilação de conceitos ligados ao novo modelo, como catecumenado ou mistagogia, reconhecendo a necessidade de investimento na formação. “É necessário ajudar a compreender, passo a passo, o significado de cada conceito”, afirmou.

Sem essa mudança de mentalidade, alerta, o risco é de uma reforma apenas aparente. “Podemos ter novos catecismos, mas continuar com a mesma lógica de sempre, o que seria um erro”, disse.

A aposta, conclui, passa por formação e aprofundamento da experiência de fé. “É fundamental mentalizar e formar, mas sempre sustentados numa verdadeira experiência de fé, porque sem o encontro com Cristo dificilmente se compreenderá aquilo que a catequese propõe”, acrescentou.

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