O Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) está a liderar um projeto nacional desenvolvido em parceria com a OCDE e o EduQA que pretende transformar a formação de professores, com foco na integração da criatividade e do pensamento crítico nas práticas pedagógicas.
A iniciativa foi formalizada na Escola Superior de Educação (ESE) – IPVC, através da assinatura de um memorando de entendimento que marca o arranque de um programa de desenvolvimento profissional destinado a formadores de professores.
O projeto assenta numa formação microcredenciada de curta duração que visa capacitar formadores para conceber, implementar e avaliar ações de formação contínua centradas em competências como a criatividade e o pensamento crítico, com especial incidência nas áreas da ciência e da matemática. “Se queremos desenvolver estas competências nos alunos, temos de começar por capacitar quem forma os professores”, afirmou Ana Teresa Oliveira, pró-presidente do IPVC para a Inovação Pedagógica e Flexibilidade Curricular.
A responsável sublinha que o projeto representa uma mudança estrutural na forma como se pensa a formação docente. “Aquilo que está em causa é uma transformação progressiva do próprio sistema educativo”, disse, acrescentando que a articulação com a OCDE e o EduQA “posiciona o IPVC como parceiro-chave” neste processo.
Mais do que uma ação pontual, o programa assume-se como um modelo de disseminação de competências, com impacto que se pretende nacional. A formação inclui metodologias ativas, estratégias de avaliação, construção de planos de aula e o uso de inteligência artificial generativa aplicada à educação.
A ESE – IPVC terá a responsabilidade de acolher e certificar a formação. “A criatividade e o pensamento crítico deixam de ser dimensões acessórias para se afirmarem como eixos estruturantes da ação pedagógica”, afirmou Fátima Pereira, subdiretora da instituição.
A responsável acrescenta que o modelo adotado rompe com formatos tradicionais. “Estamos a falar de uma formação centrada na experimentação, na reflexão crítica e na aplicação em contexto real”, disse.
O projeto envolve ainda o EduQA – Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação, organismo ligado à avaliação do sistema educativo, bem como representantes de várias Escolas Superiores de Educação do país, numa lógica de rede colaborativa.
A dimensão internacional é assegurada pela participação de especialistas da OCDE, com presença em Viana do Castelo. Entre eles está Stéphan Vincent-Lancrin, vice-diretor do Centro para a Investigação e Inovação Educativa (CERI), responsável por projetos internacionais nas áreas da criatividade, inovação e digitalização da educação.
Participam ainda Cassie Hague e Anjelica Giordano, investigadoras do mesmo centro, com trabalho centrado na articulação entre políticas educativas, práticas pedagógicas e avaliação baseada em evidência.
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