A Sé de Viana do Castelo acolheu a celebração de instituição de novos ministros laicais, marcada por uma reflexão centrada no caminho de Emaús e na leitura da Igreja como comunidade em permanente discernimento no mundo atual.
Na homilia, o bispo diocesano, D. João Lavrador, partiu do episódio bíblico dos discípulos que caminham de Jerusalém para Emaús para propor uma leitura da vida cristã em diálogo com as inquietações contemporâneas. “Este é o caminho da Igreja, da comunidade cristã, de cada batizado, discípulo de Jesus Cristo, mas também de cada pessoa que seriamente se decida pela reta consciência e a orientar a sua vida pela busca da verdade”, afirmou.
O Bispo sublinhou que esse percurso é feito de incertezas e de leitura progressiva da realidade. Nesse caminho, disse, a fé cristã reconhece a presença de Cristo Ressuscitado como acompanhamento da história pessoal e comunitária. “Também hoje Jesus de Nazaré Ressuscitado caminha connosco, escutando as nossas preocupações, incompreensões, desilusões e fracassos”, afirmou.
D. João Lavrador acrescentou que essa presença nem sempre é imediatamente reconhecida, mas vai-se tornando inteligível na vida comunitária e na celebração da fé. “Também hoje O descobrimos na celebração da Eucaristia”, referiu, sublinhando que “fora da Ceia Pascal e da comunidade, Cristo, embora caminhando connosco, está oculto e não O podemos reconhecer”.
O Bispo ligou esta leitura espiritual à forma como os cristãos são chamados a interpretar o mundo contemporâneo, marcado por incerteza, desilusão e procura de sentido. O caminho de Emaús, disse, “não é apenas um episódio religioso”, mas uma chave de leitura da experiência humana.
É nesse processo, acrescentou, que a fé se torna também um exercício de discernimento. “Os discípulos vão sendo conduzidos até à compreensão mais profunda de toda a história da salvação”, afirmou.
Foi neste enquadramento que D. João Lavrador situou a instituição dos novos ministros de acólito, leitor e candidatos ao diaconado permanente, sublinhando a relação entre experiência de fé e vida comunitária. “É precisamente neste contexto da experiência do Ressuscitado, na participação ativa numa comunidade cristã, na partilha fraterna e no testemunho apostólico convicto que se inscreve a instituição destes ministérios”, disse.
O Bispo reforçou a ideia de uma Igreja entendida como serviço. “A comunidade cristã, nascida do Mistério Pascal de Cristo, é chamada em todos os seus membros a servir e não a ser servida”, afirmou.
D. João Lavrador recorreu ainda às conclusões do Sínodo sobre a sinodalidade para enquadrar a diversidade de ministérios numa lógica de corresponsabilidade e participação. “Na comunidade cristã, todos os batizados são enriquecidos com dons para partilhar, cada um segundo a sua vocação e a sua condição de vida”, referiu, sublinhando que esses dons não pertencem a quem os recebe, mas estão orientados para a missão da Igreja. “Não são propriedade exclusiva de quem os recebe e exerce, nem podem ser motivo de reivindicação para si ou para um grupo”, afirmou, acrescentando que essa diversidade tem também impacto na forma como a Igreja se relaciona com a sociedade.
O Bispo destacou ainda a natureza dos ministérios instituídos, sublinhando que não se trata apenas de funções, mas de uma forma estável de participação na vida e missão da Igreja. “A atribuição do ministério é um sacramental que molda a pessoa e define o seu modo de participar na vida e na missão da Igreja”, afirmou.
Segundo o prelado, estes ministérios resultam de discernimento, formação e reconhecimento e exprimem uma corresponsabilidade concreta na vida eclesial.
No final da homilia, D. João Lavrador enquadrou a celebração no caminho da diocese para o Jubileu, defendendo uma Igreja em renovação permanente e em diálogo com o mundo atual, e apontando para uma comunidade “de todos e para todos, em contínua renovação, à maneira dos Apóstolos e fermento do Evangelho no meio do mundo”.
O Bispo deixou ainda um apelo à dimensão vocacional e ao testemunho, pedindo que os novos ministros sejam sinal de uma Igreja presente na vida concreta das pessoas e nos desafios contemporâneos.
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