Sempre ligados (mesmo quando achamos que não)

Nuno Lemos
27 Abr. 2026 2 mins
Nuno Lemos

Hoje é difícil passar uma manhã sem sermos interrompidos por uma notificação. Uma mensagem, um alerta das redes sociais, um aviso do cartão do supermercado. O telemóvel anda connosco para todo o lado e é a primeira coisa em que pegamos de manhã e a última que pousamos à noite.

Durante muito tempo, era fácil saber onde começava e onde acabava esta ligação ao mundo digital. Bastava pousar o telemóvel, desligar a internet ou deixá-lo noutra divisão da casa. Tínhamos a sensação (e também o controlo) de poder desligar quando quiséssemos.

Essa fronteira, porém, está a desaparecer.

Aquilo que antes estava concentrado no ecrã que tínhamos na mão começou, aos poucos, a espalhar-se pelo espaço à nossa volta. Está no carro, no relógio e basta uma simples caminhada pela cidade para percebermos a mudança. Onde antes havia cartazes, há agora ecrãs digitais. Uns mostram informação útil, outros são puramente publicidade.

Continuamos ligados sem sequer darmos por isso. Mesmo quando guardamos o telemóvel no bolso, a cidade continua a falar connosco através de dezenas de ecrãs. A tecnologia deixou de estar apenas nas nossas mãos e passou a fazer parte do ambiente onde vivemos.

Mas a questão é: estamos mais informados ou apenas mais expostos? Continuamos a escolher o que queremos ver, ou limitamo-nos a absorver aquilo que nos aparece à frente?

Tal como já tive oportunidade de escrever, a tecnologia tem um papel muito importante na vida das cidades – desde a mobilidade à segurança, passando pelo acesso aos serviços públicos. O problema (como quase sempre) não é a tecnologia em si, mas a forma como a deixamos entrar, sem critério, em todos os cantos do nosso dia.

Uma cidade inteligente não é aquela que tem mais ecrãs ou mais sistemas digitais. É aquela que usa a tecnologia para resolver problemas reais, facilitar a vida das pessoas e melhorar o seu bem-estar.

Encontrar este equilíbrio é, talvez, um dos maiores desafios das cidades de hoje. Um mundo mais ligado pode ser, sem dúvida, um mundo melhor. Mas tem de continuar a fazer sentido para quem nele habita.

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