O turismo em Viana do Castelo marcou a última reunião de Câmara, depois de a vereadora do PSD (eleita pela AD), Joana Ranhada, ter alertado para a baixa permanência dos visitantes.
Na análise ao Relatório de Contas do Município, Joana Ranhada destacou que a estadia média em Viana se situa nos 1,7 dias, sublinhando que o valor fica abaixo da média nacional, estimada em cerca de 2,5 dias, e de municípios vizinhos como Ponte de Lima (1,9 dias) e Vila Nova de Cerveira (2 dias). “Viana atrai, mas ainda não retém. O desafio não é apenas trazer mais pessoas, é dar-lhes razões para ficar”, afirmou, defendendo uma estratégia mais focada em “experiências integradas” e na valorização do território.
A oposição sublinhou ainda o potencial turístico do concelho, mar, rio, montanha, património e cultura, defendendo que este “não está plenamente estruturado nem comunicado de forma estratégica”.
Entre as propostas, foram referidos percursos pedestres ao longo do rio Lima, reforço da ligação entre cidade e freguesias e criação de roteiros temáticos ligados à natureza, gastronomia e património.
Joana Ranhada alertou também para o risco de um modelo centrado apenas na captação de visitantes. “Promover é essencial, mas promover sem garantir experiência e permanência é, muitas vezes, apenas aumentar o número de visitantes sem aumentar o valor gerado”, acrescentou.
Em resposta, o presidente da Câmara rejeitou a ideia de estagnação e defendeu que o concelho está a seguir uma estratégia de crescimento “alargada e estruturada”, baseada na diversificação territorial e na captação de diferentes segmentos turísticos.
O autarca afirmou que o município não pretende um modelo “monoturístico”, mas sim um território com várias camadas de oferta, litoral, rio, montanha e freguesias, e destacou o trabalho em curso na promoção internacional e na qualificação dos agentes turísticos. “Não queremos um território monoturístico. Queremos incorporar várias camadas e consolidar um ecossistema turístico”, afirmou.
O presidente sublinhou ainda o investimento em formação e capacitação dos operadores locais, referindo ações com agentes do setor e iniciativas de qualificação da oferta turística.
No final da reunião, em declarações aos jornalistas, Luís Nobre revelou que a receita associada à taxa turística, em 2025, situou-se em valores na ordem dos 434 a 534 mil euros (dependendo do período contabilístico considerado), sendo comparada com outros municípios.
O autarca destacou que a análise deve ser feita com cautela, criticando comparações diretas. “Há uma tendência para comparar o incomparável. Devemos olhar para territórios semelhantes e para o contexto geográfico e estrutural de cada um”, considerou, defendendo que a taxa turística é uma forma de compensar a pressão sobre infraestruturas e espaço público, causada pelo aumento de visitantes. “Temos mais de 300 mil pessoas a ocupar o território. Isso exige investimento em infraestruturas e serviços. A taxa turística é uma forma justa de resposta”, afirmou.
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