Viana do Castelo: Moradores de Barroselas contestam impactos da Via do Vale do Neiva. Câmara defende diálogo no terreno 

A construção da nova Via do Vale do Neiva reabriu o debate político e social, com moradores de Fiopos, na freguesia de Barroselas, a contestar o corte de acessos viários locais e a exigir soluções alternativas que garantam ligação direta à nova infraestrutura. O tema chegou à Assembleia Municipal, onde os habitantes expuseram as suas preocupações aos eleitos locais.

Micaela Barbosa
29 Abr. 2026 4 mins

A contestação tem-se refletido em reuniões de Junta, intervenções políticas e redes sociais, com críticas à forma como o projeto acautela a mobilidade na zona. “Se em Fiopos não for autorizada uma alternativa de ligação da rede viária à nova Via do Vale do Neiva, fica claro que esta obra foi pensada com o mesmo critério que o salão de reuniões da Junta: um espaço amplo, mas sem uma única tomada”, afirmou um morador.

Outros residentes defendem que o município deveria ter apresentado publicamente o plano rodoviário global associado à obra. “Seria sério da parte da Câmara Municipal fornecer e dar ao conhecimento da população o novo plano rodoviário para Barroselas após a conclusão das obras”, lê-se numa das intervenções partilhadas.

Entre as propostas mais discutidas, estão a criação de uma rotunda galgável em Fiopos ou uma ligação da Agra da Várzea à rotunda 6, soluções apresentadas como alternativas de baixo custo. “A solução é objetiva: rotunda galgável em Fiopos, custo zero para os cofres municipais, ou ligação pela Agra da Várzea à rotunda seis”, defendem alguns moradores, que admitem disponibilidade para cedência de terrenos.

Outros alertam para impactes mais alargados na estrutura viária de Barroselas. “Este corte de via deixa a população do lado sul sem acesso direto ao centro e cria uma pressão rodoviária perigosa em toda a estrutura da vila”, referiu um residente, apontando riscos de aumento de tráfego em zonas habitacionais.

O tema chegou ao Executivo municipal através de uma intervenção do vereador do PSD eleito pela AD, André Lousinha, em reunião de Câmara Municipal, onde foi questionada a existência de soluções técnicas para garantir acessos aos moradores de Fiopos.

Na intervenção, o vereador sublinhou que o projeto da Via do Vale do Neiva, sendo “estruturante para o concelho”, não pode ignorar os impactes locais identificados. “Em causa está o corte da ligação entre a Rua da Agra da Várzea e a Rua do Campo da Vinha, sem garantias de reposição das condições de circulação pré-existentes”, referiu, questionando o município sobre soluções como a ligação direta à nova via.

O presidente da Câmara Municipal, Luís Nobre, reconhece o impacte de grandes obras na malha viária existente, mas rejeita falhas de planeamento. “Qualquer obra que tenha impacte infraestrutural vai interferir com a rede existente”, afirmou, sublinhando que estão a ser procuradas soluções de compatibilização com juntas de freguesia e moradores.

Segundo o autarca, o objetivo passa por garantir a conectividade da rede. “Encontramos soluções que consideramos estruturais e prioritárias, criando uma rede funcional que vá ao encontro das pessoas”, referiu, acrescentando que há contactos diretos no terreno para ajustar pormenores.

Luís Nobre defendeu, ainda, que a intervenção viária não deve ser analisada de forma isolada. “Há descontinuidade em várias ligações, mas foram identificadas as estruturantes e, nessas, temos soluções de ligação direta ou através de rotundas”, afirmou.

A polémica levou também os deputados de freguesia da coligação PSD/CDS-PP a manifestar apoio às reivindicações locais, garantindo estar “ao lado da população de Fiopos” e disponíveis para defender soluções que assegurem mobilidade e bem-estar.

Em simultâneo, a contestação alargou-se a outras zonas de Barroselas, com moradores a alertar para o impacte da nova via na circulação interna e na segurança rodoviária. “Vai criar um novo ponto de pressão de trânsito dentro da vila”, alertou um residente.

A Via do Vale do Neiva continua a ser considerada uma infraestrutura estratégica para o concelho, mas o caso de Fiopos tornou-se um dos principais focos de contestação pública ao projeto. Entre pedidos de ligação direta, propostas alternativas e a defesa técnica do Executivo, o processo mantém-se em aberto, num cenário de tensão entre exigências locais e opções de planeamento municipal.

Tags Política

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