Viana do Castelo: Câmara destaca “rigor técnico” em escavações no futuro mercado com achados do antigo convento e do mercado do século XIX 

Os vestígios arqueológicos identificados nas escavações do futuro Mercado Municipal de Viana do Castelo, no local do antigo Prédio Coutinho, serão registados e posteriormente removidos para permitir a construção do piso subterrâneo de estacionamento previsto no projeto.

Micaela Barbosa
6 Mai. 2026 3 mins

A garantia foi dada esta semana pelo presidente da Câmara de Viana do Castelo, Luís Nobre, durante uma visita técnica às escavações arqueológicas em curso no terreno onde deverá nascer o novo mercado municipal, numa obra estimada em 13,3 milhões de euros.

Segundo o autarca, os trabalhos arqueológicos estão a decorrer com “rigor técnico e científico” e terão como prioridade a chamada “preservação pelo registo”, através de documentação cartográfica, fotográfica e digital das estruturas encontradas no subsolo. “Estamos a trabalhar com todo o profissionalismo, rigor técnico e científico, com o tempo e a tranquilidade necessárias para preservar o que encontramos através do registo”, afirmou Luís Nobre aos jornalistas.

Os trabalhos arqueológicos revelaram estruturas associadas ao antigo Convento de São Bento, fundado no século XVI, bem como vestígios do primeiro mercado da cidade, construído no século XIX após a demolição parcial das áreas não religiosas do convento.

Apesar da dimensão dos achados, o município garante que o projeto do mercado municipal se mantém inalterado. As estruturas identificadas serão desmontadas após conclusão da documentação arqueológica, permitindo o avanço da construção do piso -1 destinado ao parque de estacionamento.

A legislação portuguesa admite este tipo de intervenção através do princípio da “conservação pelo registo científico”, utilizado em contextos arqueológicos quando não existe preservação integral “in situ” dos vestígios.

Durante a visita, o chefe da unidade de arqueologia da autarquia, Miguel Costa, explicou que as escavações já abrangeram cerca de mil metros quadrados e revelaram “várias fases de ocupação” do espaço ao longo de cerca de cinco séculos. “Temos aqui cinco séculos de história praticamente preservados debaixo das terras. Suspeitávamos que existiam alguns destes vestígios, mas não tínhamos noção da dimensão do que estava preservado”, afirmou.

Segundo o arqueólogo, foram identificadas antigas áreas de dormitórios, enfermarias e espaços funcionais do convento, além de estruturas ligadas ao mercado oitocentista construído após a extinção das ordens religiosas.

Miguel Costa adiantou ainda que os trabalhos deverão prolongar-se a áreas adjacentes, numa intervenção determinada pela CCDR-Norte após as sondagens de diagnóstico iniciais.

Durante as escavações foram também encontrados objetos cerâmicos e utensílios do quotidiano, entre pratos, panelas e outros materiais associados às diferentes fases de ocupação do espaço.

Luís Nobre defendeu, contudo, que as áreas consideradas “mais nobres” do antigo convento, nomeadamente a igreja e os claustros, permanecem preservadas e poderão vir a ser valorizadas e abertas à visitação pública. “Vamos trabalhar para lhes dar mais dignidade e visibilidade”, afirmou o autarca, defendendo a retoma do processo de classificação daqueles elementos patrimoniais como Monumento de Interesse Público.

A visita às escavações aconteceu cerca de uma semana depois de o PSD de Viana do Castelo ter pedido esclarecimentos públicos sobre os achados arqueológicos identificados no local da futura obra.

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