A Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira viu aprovada uma candidatura para estudar e gerir a expansão da planta aquática invasora Egeria densa no estuário do rio Minho, um fenómeno cuja dimensão local não está ainda totalmente quantificada pelas autoridades no terreno.
O projeto, no valor total de 25.717,12 euros, é cofinanciado em 70% pelo Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos, das Pescas e da Aquicultura (FEAMPA), no âmbito do Programa Operacional MAR 2030.
Segundo o município, a iniciativa pretende “contribuir para a gestão sustentável da espécie” e “mitigar os seus impactos negativos”, através de três eixos principais: caracterização química da planta, mapeamento da sua distribuição no estuário e ações de sensibilização ambiental junto da população.
A Egeria densa é uma planta aquática originária da América do Sul, amplamente utilizada em aquariofilia, que se tornou invasora em vários ecossistemas de água doce e estuarinos na Europa.
No caso do rio Minho, estudos científicos indicam que a espécie está presente desde o início da década de 1990 e encontra-se hoje estabelecida no sistema estuarino.
Trabalhos académicos descrevem a formação de “tapetes densos” desta planta em áreas do estuário, com impacto na estrutura dos habitats submersos e na substituição parcial de vegetação aquática nativa.
Apesar da presença consolidada, a extensão exata da ocupação da espécie no rio Minho e a sua evolução recente variam entre estudos e dependem de condições sazonais como salinidade e caudais fluviais.
A literatura científica associa a Egeria densa a alterações no ecossistema aquático, nomeadamente através da formação de massas vegetais submersas que podem modificar a circulação da água e criar barreiras físicas à navegação em determinados troços fluviais.
Estudos realizados no estuário identificaram ainda comunidades associadas à planta, incluindo dezenas de espécies de invertebrados, algumas registadas pela primeira vez em Portugal, sugerindo que os seus efeitos ecológicos são complexos e não apenas negativos.
O investimento agora aprovado será aplicado sobretudo em investigação aplicada e ações de sensibilização ambiental.
Entre as metas estão a criação de um mapeamento atualizado da presença da espécie no estuário do Minho e a avaliação de potenciais utilizações da biomassa removida, uma abordagem cada vez mais utilizada na gestão de espécies invasoras.
O município sublinha ainda a importância da literacia ambiental para travar a introdução e dispersão de espécies exóticas, frequentemente associadas à libertação acidental a partir de aquários domésticos.
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