Viana do Castelo recebeu conferência da OMS com 520 participantes e marca nova fase das “Cidades Saudáveis”

Viana do Castelo foi palco da reunião anual e conferência técnica da Rede Europeia de Cidades Saudáveis da Organização Mundial da Saúde, um encontro internacional que juntou cerca de 520 participantes de 40 países no Centro Cultural da cidade. Sob o tema “Cidades Saudáveis para Gerações Saudáveis”, a conferência centrou-se no papel das cidades na promoção da saúde ao longo de todo o ciclo de vida, da infância à velhice, e assinalou a celebração dos 40 anos da Carta de Ottawa para a Promoção da Saúde, bem como o lançamento oficial da Fase VIII da rede (2026–2030).

Micaela Barbosa
19 Jun. 2026 4 mins

Nova fase assente nos “7Ps”

A nova etapa da Rede Europeia de Cidades Saudáveis da OMS introduz uma estrutura estratégica baseada em sete pilares: Pessoas, Lugar, Planeta, Participação, Prosperidade, Paz e Preparação.

Segundo a organização, estes princípios procuram reforçar a criação de ambientes urbanos mais saudáveis, equitativos e sustentáveis, com especial enfoque na redução das desigualdades, na participação comunitária e na resiliência das cidades.

Homenagem a Defensor Moura

No arranque dos trabalhos, o antigo presidente da Câmara de Viana do Castelo, Defensor Moura, foi homenageado pela Rede Europeia de Cidades Saudáveis pelo seu contributo para o movimento e pelo trabalho desenvolvido na área da saúde comunitária, nomeadamente na Liga dos Amigos do Hospital de Viana do Castelo.

Certificação de Viana do Castelo na Fase VIII

Durante a conferência, o presidente da Câmara Municipal, Luís Nobre, recebeu o certificado que formaliza a entrada de Viana do Castelo como cidade-membro na Fase VIII da rede.

Na mesma sessão, foi também apresentado o enquadramento estratégico da nova fase, incluindo a reafirmação dos 7Ps e a apresentação do novo logótipo da rede, num processo de transição para o novo ciclo de trabalho.

Saúde como política transversal

Na abertura do encontro, o autarca defendeu uma visão integrada da saúde, sublinhando que esta não depende apenas dos serviços de saúde, mas também das decisões tomadas em áreas como urbanismo, ambiente, educação, mobilidade e coesão social.

Luís Nobre destacou ainda a importância da cooperação entre cidades e da partilha de boas práticas, num contexto em que os desafios urbanos são cada vez mais comuns a diferentes países e realidades.

Intervenções internacionais e enfoque técnico

Entre os intervenientes da conferência estiveram especialistas internacionais como Kevin Fenton (Reino Unido), Ronald Labonté (Canadá), John Howie (Reino Unido), bem como responsáveis da Organização Mundial da Saúde como Kira Fortune e Christine Brown.

Os debates centraram-se em temas como desigualdades em saúde, planeamento urbano baseado no território, envelhecimento saudável, género, inclusão e impacto das políticas públicas no bem-estar das populações.

“Cidades como sistemas vivos”

Na sessão plenária dedicada ao ciclo de vida e às cidades inclusivas, a diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, defendeu que as cidades funcionam como “sistemas vivos interdependentes”, onde a saúde resulta da interação entre políticas públicas, ambiente urbano e ação comunitária.

A responsável destacou ainda a experiência portuguesa de planeamento local em saúde, com a criação de planos municipais e compromissos formais entre Estado e autarquias, defendendo uma abordagem de “saúde em todas as políticas”.

Exemplos e políticas em curso

Ao longo da conferência foram apresentados projetos desenvolvidos em Portugal em articulação com municípios, como programas de atividade física associados à diabetes, iniciativas de prescrição social e cultural, e programas de escolas saudáveis.

A estratégia passa por integrar saúde, educação, cultura e ação social, com foco na prevenção e na redução de desigualdades.

A conferência em Viana do Castelo deixou como ideia central a necessidade de uma abordagem mais integrada da saúde nas cidades, atravessando setores e níveis de governação. Nesse sentido, a diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, sublinhou que “as cidades são estes sistemas interdependentes e orgânicos”, defendendo que os determinantes da saúde “não respeitam fronteiras administrativas nem setoriais”, o que obriga a uma ação coordenada entre políticas públicas.

A responsável reforçou ainda que “a maioria das coisas que fazem diferença na saúde das populações acontece ao nível local”, defendendo que é nesse nível que se torna possível alinhar políticas de urbanismo, mobilidade, ambiente e inclusão social com objetivos de saúde pública. 

Para Rita Sá Machado, a chave passa por uma governação partilhada, em que diferentes setores atuam de forma articulada e contínua.

No plano da governação local, a responsável destacou também a importância de mecanismos formais de compromisso entre Estado e municípios, referindo que os planos locais de saúde e os compromissos multi-setoriais “fazem diferença” na concretização de resultados, por criarem alinhamento entre instituições e estratégias no território.

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