Nadadores-salvadores garantem vigilância nas praias de Viana e Caminha, mas recrutamento continua a ser desafio

A época balnear arrancou em Viana do Castelo, com as praias do concelho preparadas para receber banhistas. Apesar das dificuldades recorrentes em recrutar profissionais para a vigilância costeira, a associação Coordenada Decimal assegura ter reunido os meios humanos necessários para garantir a segurança ao longo da costa de Viana do Castelo e Caminha.

Micaela Barbosa
15 Jun. 2026 3 mins

Ao todo, a associação contará com 33 nadadores-salvadores em permanência nas praias sob a sua responsabilidade. O número sobe para 45 para assegurar folgas e substituições. “Nunca é uma missão fácil”, admitiu o presidente da Coordenada Decimal, Nuno Cardoso. Segundo o responsável, a escassez de candidatos continua a obrigar ao recrutamento fora do concelho e, em alguns casos, junto de jovens estrangeiros. “Ainda não conseguimos trabalhar apenas com pessoas do concelho. Precisamos de pessoas de fora ou até jovens que não sejam portugueses”, afirmou.

Cerca de 80% dos nadadores-salvadores contratados este ano são portugueses, uma realidade que, segundo Nuno Cardoso, representa uma evolução face aos últimos anos. “Tem havido alguma procura por parte dos portugueses, o que não se verificava há dois ou três anos”, referiu.

A dificuldade em atrair jovens para a profissão continua, porém, a ser uma preocupação. O dirigente associa a melhoria do recrutamento à possibilidade de oferecer trabalho durante todo o ano, através da articulação entre praias e piscinas. “Permite que eles olhem para esta missão como uma profissão”, sustentou.

Nas praias de Viana do Castelo, a associação terá disponíveis uma embarcação semirrígida, uma viatura todo-o-terreno equipada com desfibrilhador e duas moto-quatro para apoio às operações de socorro.

Em Caminha, a vigilância será assegurada por 10 nadadores-salvadores durante o pico da época balnear, apoiados por uma moto-quatro. O número inicial será de seis elementos, aumentando com a abertura das praias fluviais.

Os horários prolongados continuam a marcar a atividade. As praias funcionam diariamente entre as 09h30 e as 19h30, o que corresponde a turnos de nove horas para os nadadores-salvadores, incluindo uma hora de pausa para almoço. Segundo a associação, a remuneração situa-se acima do salário mínimo e inclui o pagamento de horas extraordinárias.

Entre os profissionais que este verão vigiam as praias do litoral vianense está Gilson Gonçalves, de 20 anos. Natural do Rio de Janeiro, mudou-se para Portugal há cinco anos e encontrou na atividade de nadador-salvador uma forma de conciliar os estudos com uma fonte de rendimento.

Atualmente, frequenta um Curso Técnico Superior Profissional na área da mecatrónica, mas não esconde o interesse em continuar ligado à profissão. “Para mim, ser nadador-salvador é muito bom. Creio que é um trabalho que eu gostaria de fazer o ano inteiro”, afirmou.

Também Tomás Rodríguez, de 24 anos, chegou a Viana do Castelo vindo do Equador em busca de melhores oportunidades. Familiarizado com o mar desde criança, por vir de uma família de surfistas, vê na atividade mais do que um emprego sazonal. “Ser nadador-salvador parece-me um bom trabalho, onde se pode crescer bastante”, disse.

c/ Lusa

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