Esteve bonita a festa

Nuno de Matos
17 Jun. 2026 3 mins
Nuno Matos

Por terras do Alto Minho, viveram-se dias de celebração em torno de um património que não se mede em betão, mas sim em papel e identidade. A 2.ª Edição da Festa dos Arquivos trouxe a certeza de que os arquivos não são depósitos poeirentos do passado, são, acima de tudo, pilares vivos da nossa cidadania e garantias do nosso futuro.

A verdadeira valorização do território faz-se pela capacidade de descentralizar o conhecimento, ouvir as populações e trabalhar em rede. Ver o nosso distrito mobilizado nesta semana cultural foi um sinal claro de maturidade. Há um espaço conjunto que merece o nosso maior aplauso.

Nas várias paragens da região, os exemplos multiplicaram-se. Arcos de Valdevez resgatou a memória urbana através da mostra dos seus edifícios antigos. Em Caminha, o olhar virou-se para a história local da educação, lembrando o esforço coletivo e o papel dos beneméritos na instrução pública. Mais do que uma mostra documental, este foi um passo decisivo para consolidar uma nova visão do papel do Arquivo Municipal na sociedade caminhense.

A modernidade e as novas tecnologias também reclamaram o seu espaço. Melgaço assinalou o momento com o lançamento da Videoteca Municipal, desafiando os cidadãos a partilharem cassetes VHS e DVDs antigos. Na mesma linha de abertura, o Arquivo Municipal de Viana do Castelo escolheu o Dia Internacional dos Arquivos para apresentar publicamente a sua página oficial no Facebook, criando uma ponte direta e necessária com o público. Paralelamente, o Arquivo Distrital (ADVCT) abriu as suas portas com a mostra documental “Preservar a memória para proteger os direitos da comunidade”, permitindo descobrir como o trabalho diário daquela equipa tem um impacto direto na vida das pessoas.

A história social e o pulsar das instituições locais ganharam especial relevo nesta dinâmica. Em Paredes de Coura, homenageou-se o centenário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários. Por terras limianas, o Arquivo Municipal de Ponte de Lima abriu as portas para mostrar, numa visita guiada, os bastidores e o rigor do trabalho de conservação do seu património. Ao mesmo tempo, a Santa Casa da Misericórdia de Ponte de Lima, uma instituição multissecular fundada em 1530 que tem demonstrado uma inteligência estratégica invulgar no apoio à cultura, organizou, no seu Consistório, uma exposição com o tema “Cinco Séculos de Presença na Comunidade”.

Mais a norte, Valença propôs um percurso comum entre o arquivo e o território, enquanto Vila Nova de Cerveira disponibilizou online mais de 15.000 imagens do fundo documental do Hospital da Misericórdia.

Ficou claro que, no Alto Minho, a salvaguarda da memória caminha de mãos dadas com o futuro. O desafio agora exige manter estas portas abertas e envolver ativamente os cidadãos no quotidiano dos seus arquivos.

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