Costuma sentir as pernas cansadas ou doridas? Sente que esses sintomas pioram no Verão e ao final do dia? Pode tratar-se de uma doença chamada Doença Venosa Crónica. Já ouviu falar? Este mês é Chamado ao Consultório para conhecer esta doença que afeta cerca de um terço da população portuguesa e que pode ter um impacto significativo na qualidade de vida dos que sofrem com ela.
A Doença Venosa Crónica é uma doença que afeta as paredes e válvulas das veias das pernas, dificultando a circulação do sangue para o coração. Em condições normais, as válvulas das veias asseguram que o sangue circula apenas numa direção, conduzindo-o de volta ao coração e evitando o seu refluxo. Quando estas válvulas deixam de funcionar corretamente, o fluxo venoso até ao coração torna-se menos eficiente, levando ao aumento da pressão no interior das veias e à sua dilatação. Como consequência, podem surgir sintomas e sinais característicos desta doença, como inchaço das pernas, varizes, alterações da pele e, em fases mais avançadas, úlceras venosas — feridas de difícil cicatrização, que podem persistir durante longos períodos.
Durante o Verão, as temperaturas mais elevadas provocam uma dilatação natural das veias, um mecanismo que ajuda o organismo a regular a sua temperatura corporal. Nas pessoas com Doença Venosa Crónica, esta dilatação pode agravar as dificuldades já existentes na circulação sanguínea, favorecendo a “estagnação” de sangue nas veias das pernas. Como resultado, sintomas como sensação de peso, cansaço, dor nas pernas e inchaço dos tornozelos e pés tendem a intensificar-se.
Embora nem sempre seja possível evitar o aparecimento desta doença, existem estratégias que podem ajudar a retardar a sua evolução e a minimizar os sintomas. A adoção de hábitos de vida saudáveis, incluindo a prática regular de atividade física, a manutenção de um peso adequado, a redução de longos períodos em pé ou sentado e a elevação das pernas sempre que possível, desempenham um papel fundamental. Quando indicado, podem também ser recomendadas medidas terapêuticas específicas, como o uso de meias de compressão ou de medicamentos que melhoram a função venosa. Em alguns casos, poderá ser necessário recorrer a tratamentos mais invasivos, como escleroterapia, técnicas endovenosas ou cirurgia, cuja escolha deve ser feita por um Cirurgião Vascular, de acordo com as características e necessidades de cada doente.
Em suma, cabe-lhe a si estar atento e reconhecer os sintomas associados a esta doença, devendo aconselhar-se com o seu médico de família caso tenha alguma dúvida. Lembre-se que, na saúde, como em tudo na vida, mais vale prevenir que remediar. E quanto mais cedo intervir, maior a probabilidade de melhorar os sintomas e retardar a progressão da doença, reduzindo o risco de complicações.
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