A elevação do Santuário do Sagrado Coração de Jesus, em Santa Luzia, a Basílica Menor foi assinalada, em Viana do Castelo, com um apelo à unidade, à responsabilidade coletiva e ao reforço dos laços comunitários numa sociedade marcada pela fragmentação e pelo isolamento.
Na celebração da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, que coincidiu com o Dia Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes, o Bispo de Viana do Castelo, D. João Lavrador, apresentou o novo estatuto do santuário não apenas como um reconhecimento eclesial, mas como um símbolo de comunhão num tempo de divisões. “A comunhão e a unidade na Igreja, como povo de Deus, estão sempre ameaçadas”, afirmou, sublinhando que a construção da unidade exige “uma conversão permanente” e um esforço contínuo de encontro entre pessoas, comunidades e instituições.
Perante uma realidade que descreveu como “frágil, vazia e violenta”, o responsável católico defendeu a necessidade de criar espaços de acolhimento, diálogo e proximidade humana. Nesse sentido, considerou que a nova Basílica deve afirmar-se como um lugar de encontro, oração e reconciliação, aberto a todos os que procuram sentido, silêncio ou esperança.
Na homilia, D. João Lavrador alargou a reflexão para além do contexto religioso, identificando o cansaço, a solidão e a depressão como algumas das marcas mais visíveis da sociedade contemporânea. “O cansaço e a depressão emergem em todos os setores da nossa sociedade”, observou, alertando para uma cultura que muitas vezes afasta as pessoas das relações humanas profundas e da procura de um sentido para a vida.
Para o Bispo, a resposta passa pela redescoberta da capacidade de cuidar dos outros e de construir relações baseadas na proximidade e na confiança. “É na experiência do amor que nasce a capacidade de conhecer verdadeiramente o outro”, afirmou.
A cerimónia ficou também marcada pela ação de graças pela concessão do título de Basílica Menor ao Santuário de Santa Luzia, atribuída pelo Papa Leão XIV.
D. João Lavrador manifestou o desejo de que este espaço se torne uma referência não apenas para os peregrinos, mas também para todos os que procuram um lugar de acolhimento e de encontro. “A Basílica deve ser um sinal de unidade”, resumiu, defendendo que o reconhecimento agora alcançado traz consigo uma responsabilidade acrescida de serviço à comunidade e à sociedade.
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