A criminalidade associada a furtos no interior de veículos diminuiu 7,6% em 2025, mas a GNR reforçou a resposta operacional e aumentou em 160% o número de detenções relacionadas com este tipo de crime. O alerta surge numa altura em que as autoridades antecipam um agravamento das ocorrências com a aproximação do verão, sobretudo em zonas costeiras e locais turísticos.
Segundo os dados divulgados pela Guarda Nacional Republicana, foram registados 5.667 furtos em veículos este ano, menos 470 do que em 2024, quando tinham sido contabilizados 6.137 crimes. Ainda assim, a Guarda admite que este fenómeno “tende a intensificar-se com os períodos de lazer”, aproveitando a maior afluência a praias, centros comerciais, museus e parques de estacionamento de zonas turísticas.
No distrito de Viana do Castelo, a tendência acompanhou a descida nacional. Os registos passaram de 225 crimes em 2024 para 178 em 2025, menos 47 ocorrências, numa redução próxima dos 21%. Apesar da descida, o distrito continua entre os territórios do Norte com maior incidência deste tipo de criminalidade, sobretudo durante os meses de verão, quando aumenta a circulação turística no litoral minhoto.
A nível nacional, o distrito do Porto destacou-se pela subida homóloga mais significativa. Passou de 1.138 crimes para 1.440 em 2025, tornando-se o distrito com mais ocorrências registadas. Seguem-se Setúbal, com 722 crimes, Lisboa, com 691, e Faro, com 629.
Os dados revelam ainda reduções expressivas em distritos tradicionalmente associados ao turismo balnear. Em Faro, os furtos baixaram de 900 para 629 casos. Em Setúbal, desceram de 915 para 722. Já em Lisboa verificou-se uma redução de 761 para 691 ocorrências.
No Minho e Norte Interior, além da descida em Viana do Castelo, também Braga reduziu de 559 para 522 crimes, enquanto Vila Real passou de 76 para 56 e Bragança de 22 para 14. Em contraciclo, Viseu registou uma subida de 88 para 108 ocorrências e Aveiro aumentou de 547 para 573.
A GNR sublinha que “muitos destes furtos ocorrem por oportunidade”, sobretudo quando são deixados objetos visíveis no interior das viaturas. Neste sentido, apela aos cidadãos para que tranquem sempre os veículos, não deixem bens expostos e privilegiem parques iluminados ou vigiados.
Apesar da descida da criminalidade, a atividade policial intensificou-se. Em 2025, foram efetuadas 68 detenções relacionadas com furtos em veículos, mais 42 do que no ano anterior, quando tinham sido registadas apenas 26. O número de suspeitos identificados também aumentou, passando de 1.381 para 1.523.
A Guarda refere ainda que os períodos críticos coincidem com épocas festivas e ondas de calor. Em 2024, verificaram-se picos no Carnaval e entre a segunda quinzena de junho e setembro, mas também em outubro, mês que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera classificou como o segundo mais quente a nível global e o quinto mais quente da Europa. Nesse mês foram registados 576 furtos em veículos.
Já em 2025, os meses com mais ocorrências foram janeiro, maio e dezembro, além do habitual período de verão. Segundo a GNR, o calor registado em maio, considerado pelo IPMA como o segundo mais quente em Portugal Continental, poderá ter antecipado a época balnear e aumentado os momentos de lazer ao ar livre, criando mais oportunidades para este tipo de crime.
A força de segurança aconselha ainda que, em caso de arrombamento, os proprietários evitem tocar no veículo para preservar vestígios e contactem de imediato as autoridades, fornecendo o máximo de informação possível sobre objetos furtados, suspeitos ou viaturas observadas nas imediações.
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