Secretariado de Liturgia da Diocese de Viana do Castelo quer devolver “voz” aos órgãos históricos da região

A 6.ª edição do Ciclo de Órgão da Diocese de Viana do Castelo vai decorrer entre 25 de setembro e 22 de novembro, com concertos e masterclasses em seis concelhos do distrito de Viana do Castelo. A iniciativa, organizada pelo Secretariado de Liturgia da Diocese de Viana do Castelo, conta com o apoio da Câmara Municipal de Viana do Castelo e de outras autarquias. O programa foi apresentado na Igreja de Nossa Senhora da Caridade, em Viana do Castelo, junto ao órgão que serve de imagem ao cartaz desta edição.

Notícias de Viana
18 Set. 2026 4 mins

Ao longo de quase dois meses, o ciclo pretende divulgar o património dos órgãos de tubos da região e descentralizar a oferta cultural, aliando a música à preservação do património histórico, religioso e cultural.

Para o Pe. Tiago Rodrigues, diretor do Secretariado Diocesano da Pastoral Litúrgica, um dos objetivos passa por devolver os instrumentos à sua função musical e cultural. “Estes instrumentos não são para estar parados, mas para falar, para tocar e para nos fazer chegar a arte que transportam, que é a característica essencial deste instrumento”, afirmou o sacerdote.

O responsável explicou que o ciclo pretende chegar às igrejas onde existem órgãos que não estão atualmente em funcionamento, sustentando que este projeto “tem conseguido não ficar apenas concentrado num, ou noutro órgão, ou nos poucos órgãos que temos a funcionar, mas que se vá alargando à diocese e, sobretudo, às igrejas que têm instrumentos que não funcionam e que estão a precisar de restauro”, referiu.

A formação é outra das vertentes do projeto, através da ligação à Escola Diocesana de Música Litúrgica. O Pe. Tiago Rodrigues considera que esta aposta pode ajudar a aproximar os jovens dos instrumentos, apontando que não existe “nenhuma fórmula para atrair os jovens”, mas a “formação é, em primeira instância, o caminho a seguir: formar novas pessoas ligadas às paróquias e que estejam a aprender música”, explicou.

“Nunca houve tanta gente nova a estudar música nas escolas e nas academias e, portanto, esta é uma forma de criar uma ponte com estes instrumentos que, no nosso contexto e na nossa cultura local, estão um bocadinho desativados”, acrescentou o pároco.

A necessidade de preservar este património foi sublinhada, também, pelo Bispo da Diocese de Viana do Castelo, D. João Lavrador, que revelou existirem mais de 40 órgãos históricos inventariados no território, sobretudo entre aqueles que necessitam de recuperação. “A nossa diocese e distrito têm uma riqueza patrimonial de órgãos históricos muito forte e muito grande. Estão inventariados mais de quarenta, sobretudo entre aqueles que precisam de recuperação”, afirmou o prelado.

Para D. João Lavrador, a recuperação destes instrumentos representa “um trabalho muito árduo e bastante amplo”, uma vez que “é necessária uma recuperação constante de um património que o tempo vai deteriorando”.

O Bispo considera que a falta de utilização de alguns destes instrumentos contribuiu para a sua degradação: “Houve um período longo em que, por várias razões, se deixou de dar atenção à recuperação destes órgãos, nomeadamente porque deixaram de ser apreciados e utilizados na liturgia, ficando décadas, e em alguns casos séculos, sem intervenção”.

O diretor artístico do 6.º Ciclo, Daniel Sousa, reforçou que esta sexta edição mantém o propósito de divulgar o património organístico e descentralizar a programação cultural.

A programação deste ano dará particular destaque à relação entre o órgão e as vozes, mas incluirá também combinações instrumentais menos habituais, frisando numa “ligação que existe há imensos séculos”.

O ciclo terá início a 25 de setembro, na Igreja da Misericórdia de Monção, seguindo depois para diferentes localidades do distrito, com passagens por Viana do Castelo, Ponte da Barca, Caminha, Arcos de Valdevez e São Romão do Neiva, entre outros espaços. A programação inclui concertos com órgão e voz, trompete natural, saxofone, guitarra, violoncelo e outros instrumentos, além de momentos dedicados ao repertório mariano, à música barroca e à música de diferentes regiões europeias.

“O órgão não existe isoladamente. Ele é parte de um espaço, de uma história e da comunidade que o acolhe”, acrescentou o responsável.

Manuel Vitorino, vice-presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo e vereador da Cultura, considera que a iniciativa ultrapassa a realização de concertos e masterclasses, uma vez que envolve também a sensibilização para a preservação dos instrumentos.

“É uma iniciativa muito mais abrangente do que eventos como concertos e masterclasses, porque envolve, também, a sensibilização para a necessidade da recuperação, da preservação e da valorização deste importante património religioso, mas que também é cultural e turístico”, afirmou o autarca.

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