A economia portuguesa tem vindo a crescer ao longo da última década, embora a um ritmo moderado. Em 2025, uma parte significativa desse crescimento esteve associada ao turismo, cuja atividade gerou 36,2 mil milhões de euros para a economia nacional, correspondentes a 11,8% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados do INE. O Alto Minho acompanhou esta evolução, embora continue a apresentar um peso turístico inferior ao de outras regiões do país.
No Alto Minho, os dados da PORDATA permitem perceber como a atividade turística se distribui pelos diferentes municípios. Em 2025, Melgaço registou 725,2 dormidas por cada 100 habitantes, seguido de Vila Nova de Cerveira, com 710, e Caminha, com 706. Viana do Castelo, apesar de ser a capital de distrito, apresentou um valor bastante inferior, de cerca de 412 dormidas por cada 100 habitantes, quase metade dos valores registados pelos três municípios transfronteiriços que lideram a região.
A dimensão da oferta turística também apresenta diferenças significativas. No Alto Minho, o número de alojamentos turísticos aumentou de 205, em 2015, para 380, em 2025. No mesmo período, os hotéis passaram de 31 para 47. Esta evolução acompanha a tendência registada no norte, em que os alojamentos turísticos mais do que duplicaram, passando de 1.098 para 2.304, enquanto o número de hotéis aumentou de 297 para 481.
Apesar destas diferenças, a quantidade de alojamentos não corresponde necessariamente ao número de dormidas registado por cada município. Viana do Castelo dispõe de 66 alojamentos turísticos e 17 hotéis, enquanto Melgaço, com apenas 32 alojamentos turísticos e quatro hotéis, registou mais dormidas por cada 100 habitantes. A diferença mostra que o peso turístico de um território não depende apenas da capacidade de alojamento, mas também da procura.
A nível nacional, o número de hóspedes nos alojamentos turísticos aumentou 2,2% em 2025, para 34,8 milhões, enquanto as dormidas cresceram 1,6%, atingindo os 89,7 milhões. A diferença entre os dois indicadores evidencia uma tendência no turismo português: apesar de continuar a aumentar o número de visitantes, esse crescimento não se traduz numa subida proporcional do tempo de permanência.
O mercado interno assumiu, neste contexto, um papel particularmente relevante. Os turistas residentes em Portugal foram responsáveis por 29,5 milhões de dormidas em 2025, o equivalente a 32,9% do total, mais 3,5% do que no ano anterior. Este crescimento superou o aumento global das dormidas, de 1,6%. Já os mercados externos, responsáveis por 59,8 milhões de dormidas, registaram um crescimento mais reduzido, de apenas 0,6%. Ainda assim, os turistas estrangeiros representaram cerca de 60,7% do total de hóspedes em Portugal, sendo que no Alto Minho essa proporção chegou aos 39,9%.
Os dados mostram, assim, que o turismo português continua fortemente dependente da procura estrangeira, embora o mercado interno tenha assumido um papel importante no crescimento do setor em 2025. No caso do Alto Minho, os indicadores municipais revelam ainda uma realidade heterogénea, com municípios de menor dimensão populacional a registarem uma intensidade turística superior à de Viana do Castelo, apesar de disporem de uma oferta de alojamento mais reduzida.
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