A Câmara Municipal de Viana do Castelo aprovou um apoio para a instalação de um Balcão SNS 24 na freguesia de Freixieiro de Soutelo, reforçando uma rede que já conta com cerca de 15 pontos de atendimento descentralizados no concelho. O objetivo passa por aproximar os serviços digitais de saúde das populações, sobretudo nas freguesias mais periféricas e nas zonas de montanha.
O novo balcão junta-se aos existentes em Alvarães, Afife, Meixedo, Mujães, Nogueira, Perre, Santa Marta de Portuzelo, Subportela, Outeiro, Torre, Vila Franca, Vila Mou, Vila Nova de Anha e Vilar de Murteda, além do balcão em funcionamento no Serviço de Atendimento ao Munícipe (SAM) da Câmara Municipal. Apesar do apoio da autarquia à implementação destes espaços, o Balcão SNS 24 é um projeto de âmbito nacional.
“Na altura, o intuito era combater a iliteracia e favorecer a literacia digital, criar pontos onde o cidadão pudesse interagir tal como interage através das plataformas na internet”, explicou o vereador. A ideia, acrescentou, foi criar “pontos de mediação” para pessoas com maiores dificuldades no acesso às plataformas digitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
“O objetivo passa por criar pontos de mediação, nos quais se pode marcar consultas, realizar pedidos de prescrição eletrónica, agendar exames, ou seja, aquilo que conseguimos aceder através da linha ou da área do SNS em termos online”, afirmou Ricardo Rego.
Segundo o autarca, o município optou, numa primeira fase, por esperar pela definição da rede de cuidados de saúde presenciais. “Não quisemos aderir logo ao Balcão SNS 24 para garantir o funcionamento das extensões de saúde”, revelou Ricardo Rego.
Depois de consolidada a reabertura de várias estruturas, o “município percebeu que os balcões poderiam funcionar como uma resposta complementar, sobretudo nas freguesias onde não existem extensões de saúde”, apontou o vereador, salientando, ainda que “isto poderia ser uma mais-valia para a população de montanha, mais interior, nas quais não existem extensões de saúde”.
A lógica passou por aproveitar as estruturas já existentes nas Juntas de Freguesia. “Rentabilizar o recurso das Juntas de Freguesia, principalmente nos sítios que já tinham pessoal administrativo, assim só precisávamos de dar formação aos mediadores, ter um computador e, a partir daqui, há uma mediação”, explicou o vereador.
O município tem vindo, por isso, a equipar as Juntas de Freguesia com computadores e a apoiar a formação dos funcionários que assumem o papel de mediadores digitais. No caso de Freixieiro de Soutelo, o apoio ronda os 1.500 euros. “É um financiamento que não é muito significativo”, reconheceu Ricardo Rego.
O vereador apontou que há freguesias sem extensão de saúde devido à falta de parâmetros para a sua instalação e perante esta realidade, o município procurou criar uma resposta alternativa. “ Tem o Balcão SNS 24 e garantimos transporte às pessoas da freguesia sempre que necessitam para o Centro de Saúde”, explicou.
O balanço da utilização dos balcões é, segundo o vereador, positivo, com particular adesão entre idosos e pessoas com doenças crónicas.
“Essencialmente, o que vemos é uma adesão principalmente daquelas pessoas que têm doenças crónicas, daqueles idosos que constantemente vão e que obtêm ali a possibilidade de pedir a prescrição eletrónica ao seu médico de família e que em casa não conseguem fazer”, explicou o autarca.
A existência de um mediador permite, assim, ultrapassar entraves que muitas vezes impedem os cidadãos de utilizar autonomamente os serviços digitais. “Ou porque têm mais dificuldades ou têm pouca literacia digital e assim, com estas implementações, há um mediador que estabelece essa dinâmica”, apontando, também que “é uma mais-valia dado que evita que as pessoas vão sobrecarregar as instalações de saúde com situações que podem resolver do ponto de vista online”.
A rede poderá, contudo, evoluir nos próximos tempos. O vereador considera que o próximo passo será particularmente relevante: a criação de espaços próprios para teleconsultas.
Essa evolução levará a alterações em algumas Juntas de Freguesia. “Aí sim, vamos ter que fazer algumas alterações nas Juntas de Freguesia para criar espaços completamente isolados para a teleconsulta”, explicou.
Para Ricardo Rego, esta evolução insere-se numa estratégia mais ampla do SNS para reforçar a utilização dos canais digitais e reduzir deslocações desnecessárias aos serviços de saúde.
O vereador deixou, ainda, a informação sobre a evolução das obras na rede de cuidados de saúde do concelho. “A Extensão de Saúde de Alvarães está toda pronta”, afirmou Ricardo Rego. A empreitada obteve um financiamento de quase três milhões de euros.
Em Barroselas, a previsão apontada é para que o Centro de Saúde, com cerca de 827 mil euros de investimento, possa começar a funcionar no início de setembro, ainda que de forma articulada com outras respostas durante o período de intervenção no próprio espaço.
As intervenções fazem parte de um conjunto de investimentos na rede de saúde, financiados através de diferentes programas, incluindo o PRR.
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