A questão da recolha de resíduos sólidos urbanos em Viana do Castelo tem assumido uma crescente relevância nos últimos anos. Trata-se de um tema que, sendo frequentemente alvo de críticas e de debate público, merece uma análise equilibrada, capaz de distinguir aquilo que são responsabilidades das entidades gestoras daquilo que depende do comportamento de cada cidadão.
É inegável que o executivo municipal tem enfrentado dificuldades na procura de soluções eficazes para responder aos desafios da recolha de resíduos. Nos últimos meses, foram tornadas públicas várias preocupações relacionadas com falhas operacionais, sobrelotação de ecopontos e dificuldades na articulação entre as diferentes entidades responsáveis pelo sistema de gestão de resíduos.
Contudo, seria injusto analisar esta realidade ignorando um fator essencial: hoje produzimos mais resíduos do que há alguns anos. A evolução dos hábitos de consumo, o recurso crescente a embalagens descartáveis, as compras online e o aumento do consumo em geral resultam inevitavelmente numa maior quantidade de lixo gerado pelas famílias e pelas empresas. A pressão sobre os sistemas de recolha é, por isso, cada vez maior.
A esta tendência junta-se ainda um ligeiro crescimento populacional do concelho. Segundo dados mais recentes (fonte: Pordata), a população residente em Viana do Castelo passou de 86.006 habitantes em 2021 para 86.975 habitantes em 2024, representando um aumento de cerca de 969 pessoas, ou 1,1% no período. Este crescimento resulta sobretudo de um saldo migratório positivo, que compensou o saldo natural negativo.
Mais habitantes significam naturalmente mais produção de resíduos e uma maior exigência sobre os serviços municipais. Esta realidade obriga a investimentos permanentes em equipamentos, viaturas, contentores e recursos humanos, mas também exige um reforço das campanhas de sensibilização ambiental e de educação para a cidadania.
No entanto, existe um aspeto que não pode ser ignorado: a crescente falta de civismo que se verifica em muitos pontos do concelho. São cada vez mais frequentes os casos de resíduos depositados fora dos contentores, móveis abandonados na via pública, colchões deixados junto aos ecopontos e até materiais que deveriam seguir circuitos específicos de recolha. As próprias autoridades municipais referiram um aumento significativo dos autos por deposição indevida de resíduos, situação que demonstra a dimensão do problema. Basta percorrer algumas ruas e freguesias para perceber que o problema não se resume à capacidade de recolha. Em muitos locais observa-se lixo espalhado no exterior dos contentores, sacos deixados fora de horas ou resíduos volumosos abandonados sem qualquer preocupação pelo impacto visual e ambiental. Este comportamento prejudica a imagem do concelho, dificulta o trabalho dos serviços de limpeza e contribui para a degradação da qualidade de vida de todos.
É evidente que as entidades responsáveis devem continuar a melhorar o serviço, reforçando a capacidade de resposta e corrigindo falhas sempre que existam. Mas também é verdade que nenhuma estratégia municipal terá sucesso sem a colaboração dos munícipes.
Viana do Castelo tem conquistado uma imagem de concelho atrativo, sustentável e com elevada qualidade ambiental. Para preservar essa reputação, é fundamental que cada cidadão assuma a sua parte da responsabilidade. Separar corretamente os resíduos, utilizar os serviços de recolha de monos quando necessário, respeitar os horários de deposição e manter limpos os espaços junto aos contentores são gestos simples que fazem toda a diferença. A solução para este problema não depende apenas da Câmara Municipal, dos serviços municipalizados ou das empresas do setor. Depende de todos nós. Mais do que exigir melhores serviços, é necessário adotar comportamentos mais responsáveis. O lixo que encontramos espalhado pela rua, junto aos contentores ou em locais impróprios é, muitas vezes, o reflexo de uma falta de consciência cívica que importa corrigir.
Notícias atuais e relevantes que definem a atualidade e a nossa sociedade.
Espaço de opinião para reflexões e debates que exploram análises e pontos de vista variados.