A Guarda Nacional Republicana (GNR) alertou para o aumento significativo de burlas online relacionadas com o Mundial FIFA 2026, avisando que os esquemas fraudulentos tendem a intensificar-se à medida que a competição se aproxima e mobiliza milhões de adeptos em todo o mundo.
Em comunicado, a força de segurança refere que tem acompanhado “com preocupação” a evolução de redes criminosas que procuram aproveitar o entusiasmo em torno do torneio para obter ganhos financeiros ilícitos, roubar dados pessoais e bancários ou infetar dispositivos com software malicioso.
Segundo a GNR, entre janeiro e maio deste ano foram identificados mais de 13 mil domínios temáticos relacionados com a FIFA, dos quais cerca de 8,8% apresentam características consideradas maliciosas ou suspeitas. As autoridades registaram ainda um aumento acentuado da criação destes domínios entre março e maio.
A Guarda explica que os criminosos recorrem habitualmente a três estratégias principais: criar um sentimento de urgência para pressionar a vítima, fazer-se passar por entidades legítimas e tentar obter dinheiro ou informações sensíveis através de métodos de pagamento difíceis de reverter ou formulários fraudulentos. “Estes criminosos altamente especializados fazem uso de métodos de burla que assentam em três princípios”, refere, apontando para a utilização de páginas falsas, mensagens aparentemente autênticas e esquemas destinados à recolha de dados pessoais e bancários.
A GNR revela também que já recebeu seis participações relacionadas com burlas na aquisição de cromos do Mundial FIFA 2026. Os casos terão sido perpetrados através de sites fraudulentos e plataformas de redes sociais.
Para a Guarda, estas ocorrências demonstram que “esta ameaça se encontra ativa antes mesmo do início da competição”.
Entre os esquemas mais frequentes identificados pelas autoridades estão campanhas de phishing através de correio eletrónico e redes sociais, sites falsos de venda e revenda de bilhetes, lojas online fraudulentas de merchandising e cromos, plataformas de streaming ilegítimas, aplicações adulteradas com código malicioso, fraudes com criptomoedas e páginas de apostas não licenciadas.
No caso dos bilhetes, a GNR alerta para páginas que reproduzem a aparência dos canais oficiais da FIFA e recorrem à pressão psicológica para levar os utilizadores a efetuar pagamentos imediatos. Em muitos casos, os consumidores acabam por receber bilhetes falsos ou não recebem qualquer produto.
A força de segurança aconselha os cidadãos a desconfiarem de mensagens que anunciem prémios ou sorteios relacionados com a FIFA, pedidos de pagamento através de criptomoedas, MB Way ou transferência bancária, bem como de páginas com endereços semelhantes, mas diferentes do domínio oficial da organização.
Os consumidores devem igualmente suspeitar quando lhes é solicitada uma cópia de documentos de identificação para concluir uma compra, quando as ofertas apresentam contadores de tempo ou referências a “últimas unidades” e sempre que os preços estejam significativamente abaixo dos valores praticados no mercado.
Entre as recomendações deixadas pela Guarda estão a não abertura de ligações enviadas em mensagens não solicitadas, a não aquisição de produtos em sites não verificados, a não instalação de aplicações recomendadas por plataformas de streaming e a não partilha de documentos pessoais com plataformas de apostas.
A GNR sublinha ainda que qualquer vítima de burla deverá apresentar queixa junto do posto policial da área de residência, de forma a permitir uma monitorização mais eficaz deste tipo de criminalidade. “A Guarda continua atenta a este padrão criminal e reforça o apelo à cautela por parte dos adeptos durante esta época dedicada a esta competição”, conclui o comunicado.
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