PSD propõe reforço da ferrovia em Viana e executivo diz que estratégia “está alinhada há vários anos”

Os vereadores do PSD, eleitos pela AD, defenderam, em reunião do executivo municipal de Viana do Castelo, um reforço da utilização da ferrovia no concelho, propondo a criação de um programa municipal de valorização da linha ferroviária e das estações existentes.

Micaela Barbosa
13 Mai. 2026 3 mins
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CP - Comboios de Portugal

Na sua intervenção, Paulo Morais sustentou que a atual infraestrutura ferroviária do concelho “está subaproveitada”, quer ao nível da circulação de comboios, quer no aproveitamento das estações e equipamentos anexos. “O concelho dispõe de uma rede ferroviária de Afife a Barroselas, mas os cidadãos não tiram o devido proveito da infraestrutura existente”, afirmou.

O social-democrata defendeu que a ferrovia deve assumir um papel “central” no modelo de mobilidade do concelho, integrado numa rede multimodal que permita maior cobertura territorial, previsibilidade de horários e melhores interfaces de transporte.

Entre as propostas apresentadas pelo PSD está o estudo da criação de comboios pendulares intra-municipais, ligando várias localidades do concelho e zonas limítrofes, bem como a requalificação das estações ferroviárias, através da criação de melhores acessos, salas de espera e condições de conforto para os passageiros.

Paulo Morais sublinhou ainda que o reforço da oferta ferroviária poderá reduzir custos para as famílias, aumentar a atratividade turística do concelho e contribuir para objetivos ambientais. “A ferrovia será componente central de uma tradição renovada a que Viana e os vianenses têm direito”, concluiu.

Na resposta, o presidente da Câmara, Luís Nobre, procurou enquadrar o trabalho que o município tem vindo a desenvolver na área da mobilidade, afirmando que o tema da valorização ferroviária “não começou agora” e integra as reflexões municipais há vários anos, nomeadamente desde o desenvolvimento do Plano de Mobilidade Sustentável.

O autarca reconheceu a existência de constrangimentos técnicos e operacionais associados à ferrovia, mas garantiu que o município tem mantido contactos com a Infraestruturas de Portugal e acompanhado oportunidades de financiamento ligadas à mobilidade sustentável.

Segundo Luís Nobre, o executivo pretende “melhorar as condições nas estações e interfaces ferroviárias” e “reforçar a articulação entre os diferentes modos de transporte”, embora ressalve que a cobertura ferroviária beneficia, sobretudo, o litoral do concelho, ao contrário de outras zonas do território sem alternativas de transporte qualificadas.

Apesar das diferenças de abordagem, o presidente da Câmara considerou existir convergência política quanto à necessidade de reforçar a mobilidade ferroviária no concelho. “Estamos alinhados nesse objetivo há vários anos”, afirmou.

Também o Chega, representado pelo vereador José Belo, levantou questões relacionadas com a sobrelotação de algumas carreiras urbanas da rede de transportes públicos, nomeadamente nas linhas 6 e 7, em horários de maior procura escolar e laboral.

O eleito questionou ainda alegadas falhas de sinalização num espaço associado ao Tribunal Arbitral e o atraso nas obras em curso no cemitério de Monserrate, apesar de ter deixado uma nota positiva relativamente à reorganização daquele espaço.

A reunião ficou igualmente marcada por referências aos achados arqueológicos identificados na cidade, tema recentemente levado ao Parlamento pelo deputado do Chega Eduardo Teixeira.

Sobre o assunto, Luís Nobre garantiu que todos os procedimentos têm sido acompanhados pelas entidades competentes e que o processo decorre dentro das formalidades técnicas e legais exigidas.

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