A construção da nova Via do Vale do Neiva reabriu o debate político e social, com moradores de Fiopos, na freguesia de Barroselas, a contestarem o corte de acessos viários locais e a exigirem soluções alternativas que garantam ligação direta à nova infraestrutura. O tema chegou à Assembleia Municipal, onde os habitantes expuseram as suas preocupações aos eleitos locais.
A contestação tem-se refletido em reuniões de junta, intervenções políticas e redes sociais, com críticas à forma como o projeto acautela a mobilidade na zona. “Se em Fiopos não for autorizada uma alternativa de ligação da rede viária à nova via do Vale do Neiva, fica claro que esta obra foi pensada com o mesmo critério que o salão de reuniões da junta: um espaço amplo, mas sem uma única tomada”, afirmou um morador.
Outros residentes defendem que o município deveria ter apresentado publicamente o plano rodoviário global associado à obra. “Seria sério da parte da Câmara Municipal fornecer e dar ao conhecimento da população o novo plano rodoviário para Barroselas após a conclusão das obras”, lê-se numa das intervenções partilhadas.
Entre as propostas mais discutidas estão a criação de uma rotunda galgável em Fiopos ou uma ligação da Agra da Várzea à rotunda 6, soluções apresentadas como alternativas de baixo custo. “A solução é objetiva: rotunda galgável em Fiopos, custo zero para os cofres municipais, ou ligação pela Agra da Várzea à rotunda seis”, defendem alguns moradores, que admitem disponibilidade para cedência de terrenos.
Outros alertam para impactos mais alargados na estrutura viária de Barroselas. “Este corte de via deixa a população do lado sul sem acesso direto ao centro e cria uma pressão rodoviária perigosa em toda a estrutura da vila”, referiu um residente, apontando riscos de aumento de tráfego em zonas habitacionais.
O tema chegou ao executivo municipal através de uma intervenção do vereador do PSD eleito pela AD, André Lousinha, em reunião de Câmara, onde foi questionada a existência de soluções técnicas para garantir acessos aos moradores de Fiopos.
Na intervenção, o vereador sublinhou que o projeto da Via do Vale do Neiva, sendo “estruturante para o concelho”, não pode ignorar os impactos locais identificados. “Em causa está o corte da ligação entre a Rua da Agra da Várzea e a Rua do Campo da Vinha, sem garantias de reposição das condições de circulação pré-existentes”, referiu, questionando o município sobre soluções como a ligação direta à nova via.
O presidente da Câmara Municipal, Luís Nobre, reconhece o impacto de grandes obras na malha viária existente, mas rejeita falhas de planeamento. “Qualquer obra que tenha impacto infraestrutural vai interferir com a rede existente”, afirmou, sublinhando que estão a ser procuradas soluções de compatibilização com juntas de freguesia e moradores.
Segundo o autarca, o objetivo passa por garantir a conectividade da rede. “Encontramos soluções nas quais consideramos estruturais e prioritárias, criando uma rede funcional que vá ao encontro das pessoas”, referiu, acrescentando que há contactos diretos no terreno para ajustar pormenores.
Luís Nobre defendeu ainda que a intervenção viária não deve ser analisada de forma isolada. “Há descontinuidade em várias ligações, mas foram identificadas as estruturantes e nessas temos soluções de ligação direta ou através de rotundas”, afirmou.
A polémica levou também os deputados de freguesia da coligação PSD/CDS-PP a manifestarem apoio às reivindicações locais, garantindo estar “ao lado da população de Fiopos” e disponíveis para defender soluções que assegurem mobilidade e bem-estar.
Em simultâneo, a contestação alargou-se a outras zonas de Barroselas, com moradores a alertarem para o impacto da nova via na circulação interna e na segurança rodoviária. “Vai criar um novo ponto de pressão de trânsito dentro da vila”, alertou um residente.
A Via do Vale do Neiva continua a ser considerada uma infraestrutura estratégica para o concelho, mas o caso de Fiopos tornou-se um dos principais focos de contestação pública ao projeto. Entre pedidos de ligação direta, propostas alternativas e a defesa técnica do executivo, o processo mantém-se em aberto, num cenário de tensão entre exigências locais e opções de planeamento municipal.
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