Páscoa: travessia e “compasso”

Pe. José Lima
13 Mar. 2026 3 mins
Padre José Lima

Vivemos  a escassos vinte e cinco dias da festa da Páscoa para todos, mesmo para quem não lhe atribua grande cariz religioso. A festa da Páscoa impõe-se  como tempo de férias, como intervalo festivo, que o digam os estudantes.

Cada ano é vivido com um calendário que não hesita apelidar a esta quadra a quadra da Páscoa. Esta lembra para os crentes a saída do Egito (Ex. 13, 17…), as peripécias da travessia para a Terra Prometida, a passagem do Mar, os mandamentos do Sinai, as epopeias de Moisés e de Aarão, a entrada na Nova Terra, o acompanhamento de Deus através de todas as vicissitudes, a Sua presença ativa e amorosa distante e incomparável com os ídolos. O Deus de Israel é o nosso Deus. A antiga Aliança é recordada na Páscoa como refeição ligeira para dispor para a partida que é importante para todos e relembra os cânticos de alegria e de júbilo por ultrapassarem os difíceis tempos como escravos dos egípcios.

Hoje, nos tempos que correm, recorda-se poderosamente a eficácia da ação de Deus que continua a lembrar a todos que não esquece as dificuldades atuais que nos envolvem, abrindo a Esperança de um mundo diferente e novo para todos os que a Ele se entregam, vivendo as angústias do tempo e agindo de forma digna, sem mentiras disfarçadas, sem planos de guerra e de destruição, sem doenças graves de despotismo e de poder pela força das armas. É a Nova Aliança celebrada em Cristo que oferece uma refeição diferente a todos, o Pão Vivo, e confere a cada um a possibilidade de ser um n’Ele, livremente, para a glória de Deus Trindade.

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Entre nós, a Páscoa lembra a limpeza das moradias e o “compasso” de casa em casa: isto desenvolve em muitos a alegria de ser chamado a uma nova vida, dando as mãos a familiares e amigos, compassando com todos, e escolhendo uma forma nova de agir em benefício daquilo que podemos modificar nos nossos ambientes; somos portadores de uma Luz nova e de um fermento novo para modificar a estrutura de vida para melhor, fazendo paz e concórdia nos nossos perímetros vivenciais. A moradia é refrescada e torna-se mais aconchegante e as relações emprestam luz aos encontros quotidianos. Vive-se e acredita-se que é possível fazer diferente, conferindo muita esperança aos panoramas diários: “Deus livra-nos dos perigos para além de toda a esperança humana. No nosso interior sentimos a sentença de morte para que não ponhamos a confiança em nós mesmos, mas em Deus que ressuscita os mortos. Foi Ele que nos libertou dessa morte iminente e temos a esperança de que Ele nos libertará também agora” (S. Leão Magno).

Nas diversas paróquias da diocese, a visita dos membros do “compasso” assegura que Deus está connosco em seu filho Jesus Cristo, que abençoa a famílias nas suas moradias, destaca a alegria que a Sua presença confere e assegura sempre que todos podemos criar um mundo novo nas  ações e empreendimentos pessoais, sociais, compassadas. A Páscoa é de bênção para quem se entrega de forma sadia e congruente. A renovação é constante. A Páscoa é promessa permanente.

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