A preocupação não é recente, mas é agora que o cinto aperta. O Jardim de Infância (JI) de Vila de Mouros pode fechar devido à falta de crianças para frequentar o ensino, mas a Câmara de Caminha garante que não tem indicações de que tal procedimento avance.
Apesar de manifestarem solidariedade para com os pais que defendem um ensino de proximidade, a autarquia admite que há sinais de “ um alarmismo infundado”.
A vereadora da Educação do concelho, Ana Rocha, em declarações à Lusa, comentou que o município não tem informações de que o JI da escola da localidade possa fechar portas, “ouvi o coordenador do 1.º ciclo e não colocou este cenário como uma probabilidade”, assegurou.
“As orientações para o próximo ano letivo surgiram há bem pouco tempo e nelas é dada mais autonomia aos agrupamentos para a constituição de turmas com um número de alunos que pode e certamente será reduzido, como será o caso desta escola”, disse.
Ana Rocha adiantou que o prazo para a realização de matrículas cessa a 13 de julho, e que até lá “podem surgir, e deverão certamente surgir, mais crianças para se matricular na escola”.
“Acho que foi um bocadinho precipitado da parte dos pais, porque não foi uma decisão unilateral nem do Ministério da Educação, nem do agrupamento, que, como é óbvio, segue as orientações do Ministério da Educação”, referiu.
Recentemente, alguns pais de crianças que frequentam a escola, fizeram ecoar os sinais de alarme após conversarem com a Lusa. Filipa Fernandes, doméstica de 37 anos, mãe do Pedro e do Luís que vão iniciar o 3.º e 4.º ano de escolaridade na Escola de Vilar de Mouros, alertou que “por causa de três matrículas, há a possibilidade de não abrir a turma de JI”, assinalando que, se assim for, a EB acaba também por fechar”. O número mínimo para constituir uma turma é de 10.
“É uma escola que teve grandes obras, tem cantina, tem Atividades Extracurriculares [AEC], tem transporte gratuito. É uma perda muito grande”, lamentou.
Já outra mãe, Tânia Carrilho, com a filha de 5 anos matriculada no JI, teme a possibilidade de mudança: “Ela tem necessidades especiais e vive na mesma rua da escola. Já está habituada às auxiliares, à educadora e às crianças. Teria de começar tudo de novo”, salientou.
De acordo com Filipa Fernandes, no fim do ano letivo, na festa de finalistas, havia 18 crianças, de ambos graus de escolaridade, na escola da freguesia onde residem pouco mais de 700 pessoas.
Contactado pela Lusa, o presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Mouros, José Maria Barros, manifestou preocupação. “Já fizemos reuniões para angariar crianças, temos publicitado. Mais do que isso não podemos fazer. A questão diz respeito à escola”, afirmou.
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