Os vereadores do PSD, eleitos pela AD, defenderam, em reunião do executivo municipal de Viana do Castelo, um reforço da utilização da ferrovia no concelho, propondo a criação de um programa municipal de valorização da linha ferroviária e das estações existentes.
Na sua intervenção, Paulo Morais sustentou que a atual infraestrutura ferroviária do concelho “está subaproveitada”, quer ao nível da circulação de comboios, quer no aproveitamento das estações e equipamentos anexos. “O concelho dispõe de uma rede ferroviária de Afife a Barroselas, mas os cidadãos não tiram o devido proveito da infraestrutura existente”, afirmou.
O social-democrata defendeu que a ferrovia deve assumir um papel “central” no modelo de mobilidade do concelho, integrado numa rede multimodal que permita maior cobertura territorial, previsibilidade de horários e melhores interfaces de transporte.
Entre as propostas apresentadas pelo PSD está o estudo da criação de comboios pendulares intra-municipais, ligando várias localidades do concelho e zonas limítrofes, bem como a requalificação das estações ferroviárias, através da criação de melhores acessos, salas de espera e condições de conforto para os passageiros.
Paulo Morais sublinhou ainda que o reforço da oferta ferroviária poderá reduzir custos para as famílias, aumentar a atratividade turística do concelho e contribuir para objetivos ambientais. “A ferrovia será componente central de uma tradição renovada a que Viana e os vianenses têm direito”, concluiu.
Na resposta, o presidente da Câmara, Luís Nobre, procurou enquadrar o trabalho que o município tem vindo a desenvolver na área da mobilidade, afirmando que o tema da valorização ferroviária “não começou agora” e integra as reflexões municipais há vários anos, nomeadamente desde o desenvolvimento do Plano de Mobilidade Sustentável.
O autarca reconheceu a existência de constrangimentos técnicos e operacionais associados à ferrovia, mas garantiu que o município tem mantido contactos com a Infraestruturas de Portugal e acompanhado oportunidades de financiamento ligadas à mobilidade sustentável.
Segundo Luís Nobre, o executivo pretende “melhorar as condições nas estações e interfaces ferroviárias” e “reforçar a articulação entre os diferentes modos de transporte”, embora ressalve que a cobertura ferroviária beneficia, sobretudo, o litoral do concelho, ao contrário de outras zonas do território sem alternativas de transporte qualificadas.
Apesar das diferenças de abordagem, o presidente da Câmara considerou existir convergência política quanto à necessidade de reforçar a mobilidade ferroviária no concelho. “Estamos alinhados nesse objetivo há vários anos”, afirmou.
Também o Chega, representado pelo vereador José Belo, levantou questões relacionadas com a sobrelotação de algumas carreiras urbanas da rede de transportes públicos, nomeadamente nas linhas 6 e 7, em horários de maior procura escolar e laboral.
O eleito questionou ainda alegadas falhas de sinalização num espaço associado ao Tribunal Arbitral e o atraso nas obras em curso no cemitério de Monserrate, apesar de ter deixado uma nota positiva relativamente à reorganização daquele espaço.
A reunião ficou igualmente marcada por referências aos achados arqueológicos identificados na cidade, tema recentemente levado ao Parlamento pelo deputado do Chega Eduardo Teixeira.
Sobre o assunto, Luís Nobre garantiu que todos os procedimentos têm sido acompanhados pelas entidades competentes e que o processo decorre dentro das formalidades técnicas e legais exigidas.
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