O rio Minho e o seu território transfronteiriço estão a avançar rumo a uma possível classificação como Reserva da Biosfera da UNESCO, um reconhecimento que permitirá reforçar a conservação do património natural e conciliá-la com o desenvolvimento económico e social.
O projeto “Ecofront_Minho” apresentou os seus objetivos numa sessão pública realizada recentemente, em Tui, na Galiza, que reuniu instituições, especialistas e representantes de outras reservas para partilhar experiências e preparar uma futura candidatura conjunta entre a Galiza e o Norte de Portugal.
A iniciativa, denominada “Espaços conservados na frente da cooperação transfronteiriça e sustentabilidade ambiental do rio Minho”, é cofinanciada pelo programa europeu Interreg Espanha-Portugal (POCTEP) 2021-2027, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), que assegura 75% do financiamento. O investimento total aproxima-se de um milhão de euros.
O projeto tem como principais objetivos reforçar a proteção da biodiversidade, valorizar os recursos naturais e paisagísticos, promover um desenvolvimento económico compatível com a preservação ambiental, aumentar a notoriedade internacional do território e consolidar a cooperação entre entidades portuguesas e espanholas.
A classificação pela UNESCO ainda não foi alcançada. Nesta fase, a iniciativa pretende estabelecer as bases territoriais, científicas e institucionais necessárias à apresentação da candidatura.
O projeto estrutura-se em três linhas de trabalho: a cooperação para proteger os valores ecológicos do rio Minho, a utilização sustentável dos seus recursos e a capacitação e sensibilização dos agentes económicos e das comunidades locais. Entre as ações previstas estão a elaboração de um plano de ação e a definição de um modelo de governação partilhada.
Entre os principais resultados esperados estão a apresentação da candidatura a Reserva da Biosfera Transfronteiriça da UNESCO, uma governação territorial mais eficiente e integrada, o reforço da proteção da natureza e da biodiversidade e a criação de novas oportunidades económicas sustentáveis. A iniciativa pretende, ainda, promover o planeamento estratégico conjunto entre os dois países, valorizar o património natural e paisagístico, reforçar a resiliência territorial e criar sinergias entre os sectores público, privado e científico.
Os desafios ambientais do rio Minho exigem respostas conjuntas. A cooperação entre Portugal e Espanha permitirá uma gestão integrada dos recursos naturais, a otimização dos meios financeiros e técnicos, respostas mais rápidas em situações de emergência e a harmonização dos critérios de proteção ambiental. Pretende-se, igualmente, aumentar o impacte das políticas públicas e promover internacionalmente o território de forma conjunta.
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