O Instituto Católico de Viana do Castelo acolheu o podcast "Os Suspeitos do Costume", que promoveu uma conversa sobre "Magnifica Humanitas", a primeira encíclica do Papa Leão XIV. A sessão contou com a participação do Pe. Pablo Lima, da Diocese de Viana do Castelo, e do Pe. Paulo Terroso e do Pe. Tiago Freitas, da Arquidiocese de Braga.
Ao longo da conversa, foram abordadas várias questões relacionadas com o documento, com os desafios que a inteligência artificial coloca à humanidade em destaque. Neste âmbito, o Pe. Pablo Lima defendeu que o desenvolvimento tecnológico deve respeitar a dignidade humana e estar ao serviço do bem comum.
Na sua intervenção, o sacerdote salientou a rapidez com que a inteligência artificial está a transformar a sociedade e a forma como as pessoas vivem e se relacionam. Na sua perspetiva, esta revolução tecnológica levanta questões que vão além das capacidades das máquinas, obrigando a “refletir sobre o próprio conceito de humanidade”.
Um dos principais problemas apontados pelo Padre foi a “concentração do poder tecnológico” num pequeno grupo de grandes empresas, que detêm e utilizam vastas quantidades de dados pessoais, alertando para a influência que estas organizações podem exercer sobre a forma como as pessoas veem e interpretam o mundo.
“Se nós não pagamos, significa que a nossa vida é um produto”, afirmou, referindo-se ao funcionamento de vários serviços digitais gratuitos, sustentados, em parte, pela recolha e utilização dos dados dos utilizadores.
Os riscos associados à desinformação também estiveram em debate. O Pe. Pablo Lima salientou que o acesso a grandes quantidades de informação não significa, necessariamente, uma melhor compreensão da realidade. Neste contexto, destacou a importância de questionar quem controla a tecnologia, quem beneficia da sua utilização e de que forma deve ser regulada.
Outro dos aspetos centrais da intervenção foi a necessidade de não reduzir o ser humano à inteligência, à eficiência ou à capacidade de produção. Para o Pe.Pablo Lima, “a dignidade humana não depende da utilidade de cada pessoa”, mantendo-se mesmo “quando alguém deixa de ter capacidade para realizar determinadas tarefas”.
O sacerdote destacou, ainda, a importância da afetividade, das relações humanas, da contemplação, da espiritualidade e da arte, considerando que estas dimensões são fundamentais para a humanidade e não podem ser substituídas pela tecnologia.
Tendo como referência o documento “Magnifica Humanitas”, a conversa guiou-se numa reflexão sobre a necessidade de orientar o progresso tecnológico para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.
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