Pastoral da Saúde levou debate sobre saúde mental à comunidade de Mazarefes

O Departamento Diocesano da Pastoral da Saúde, em parceria com a Paróquia de Mazarefes, em Viana do Castelo, promoveu a primeira edição das “Tertúlias nos Pereiras”, dedicada ao tema “Saúde mental: do estigma ao cuidado”. A iniciativa pretendeu criar um espaço de encontro, reflexão e partilha, procurando “ser uma resposta viva, próxima e concreta às dificuldades da comunidade”.

Catarina Faria
27 Out. 2026 3 mins

Com o objetivo de desconstruir ideias preconcebidas e combater o estigma associado à saúde mental, a sessão contou com a participação de duas psicólogas com experiência em áreas distintas: Ariana Viana, especializada em cuidados paliativos, e Luciana Martins, que exerce na área forense. Ambas defenderam a importância de reforçar a abordagem da saúde mental nas comunidades, de forma a combater os preconceitos e dar visibilidade às “feridas silenciosas que ninguém vê”.

Sob o lema “faz com que a tua Igreja seja um espaço aberto, que escuta e não julga”, o Pe. Fábio Carvalho, diretor do Departamento Diocesano da Pastoral da Saúde, sublinhou que a iniciativa pretende afirmar-se como “um espaço seguro, livre de preconceitos e uma porta aberta para aprender a cuidar dos outros”.

Apesar de esta ter sido a primeira edição das Tertúlias nos Pereiras, a Paróquia de Mazarefes e a Pastoral da Saúde já tinham promovido anteriormente uma sessão dedicada aos cuidados paliativos.

O pároco explicou que a iniciativa, que pretende ter continuidade na Casa dos Pereiras, não se limitará a questões relacionadas com a saúde, abrangendo, também, outros temas que marquem a discussão pública. Ainda assim, destacou que estas iniciativas são importantes para “encontrar respostas para a Pastoral da Saúde”.

Neste sentido, o responsável salientou a necessidade de abordar estas questões nas pequenas comunidades, considerando que é fundamental “alargar horizontes e criar espaço para que se possa falar abertamente sobre estes temas”.

A saúde mental, entendida como a forma como sentimos e lidamos com as nossas emoções, esteve no centro da reflexão. A sessão destacou, ainda, a importância de desenvolver estratégias que permitam gerir as emoções e enfrentar as dificuldades do quotidiano.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a saúde mental corresponde a um “estado de bem-estar que permite às pessoas lidar com o stress do dia a dia, desenvolver as suas capacidades, aprender, trabalhar e contribuir para a comunidade”. As psicólogas sublinharam que a saúde mental é influenciada por diversos fatores, entre os quais a saúde física, as relações sociais, as condições laborais e de vida e as oportunidades de lazer.

Em Portugal, estima-se que uma em cada cinco pessoas adultas possa vir a desenvolver uma perturbação mental, um dado que reforça a importância da prevenção, da sensibilização e do acesso a apoio especializado.

“Nem sempre é uma questão de força de vontade, nem sempre esta prevalece, até porque, se não estivermos mentalmente estáveis, ela não nasce”, afirmou Luciana Martins, alertando para a importância de compreender a saúde mental para além da vontade individual.

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