Há mais de três anos que se aguarda pela construção do novo mercado municipal, cuja obra deveria ter tido início após a demolição do prédio Coutinho e começado a funcionar até ao final de 2023. No entanto, passados três anos da demolição, a obra ainda não arrancou, muito se deve aos achados arqueológicos encontrados no local em meados de 2025. No entanto, a Câmara Municipal de Viana do Castelo anunciou que termina no final deste mês a intervenção arqueológica.
A intervenção arqueológica promoveu escavações, que revelaram estruturas não religiosas do antigo Convento de São Bento, fundado no século XVI, nas várias fases de ocupação do espaço.
Em outubro de 2025, o presidente da autarquia, Luís Nobre admitia que já estava prevista a descoberta de vestígios na área, mas que isso não era um impedimento, dado que os vestígios seriam analisados. Mais tarde, em março deste ano, o edil sustentava que “será possível fazer as duas tarefas em simultâneo”, referindo-se à análise dos vestígios e à construção da nova infraestrutura . “Já tivemos uma reunião com a empresa responsável pelas escavações arqueológicas e com o empreiteiro, para trabalharem em conjunto com as entidades do património cultural envolvidas, para agilizar o processo”, acrescentou.
Desta forma, a partir de terça-feira, dia 1 de setembro, “já será possível avançar com trabalhos de maior envergadura no âmbito da empreitada de construção do novo mercado”, sublinha a autarquia em comunicado.
Segundo a Câmara Municipal este processo encontra-se na fase de “fechar o projeto de valorização dos achados arqueológicos junto das entidades competentes”. A proposta da autarquia, que terá agora de ser aprovada, passa por integrar os achados do futuro Polo de Arqueologia de Viana do Castelo, a ser implementado na Zona Empresarial da Praia Norte e outros espaços na cidade.
Luís Nobre quer que este espaço “possa ser usufruído não só na sua componente religiosa, mas também turística e cultural”, pelo que a Câmara Municipal vai trabalhar com a Paróquia e a Diocese de Viana do Castelo para apoiar a reabilitação deste património através do programa municipal Valorizar o Património.
A empreitada de construção do novo mercado, avaliada em cerca de 14 milhões de euros, começou a 29 de setembro de 2025 e tinha um prazo de execução de 18 meses. A descoberta de achados arqueológicos provocou o atraso da obra. “Por mais que nos complique o calendário, temos de cumprir, senão a obra é embargada. O calendário, agora, é de 18 meses a contar a partir de segunda-feira”, frisou o autarca em março deste ano.
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