O município de Caminha deu um passo formal no arranque do processo de planeamento para a recuperação da Casa Ventura Terra, imóvel de grande relevância histórica na freguesia de Seixas, natal do arquiteto Miguel Ventura Terra (1866‑1919).
Numa visita técnica ao local, estiveram presentes a presidente da Câmara Municipal, Liliana Silva, o vereador Carlos Castro, elementos da equipa de urbanismo municipal e o presidente da Junta de Freguesia de Seixas, Dionísio Rua. “A recuperação da Casa Ventura Terra assume‑se como um projeto estruturante para Caminha”, afirmou Liliana Silva, apontando para a transformação do espaço num polo ativo de cultura e conhecimento, capaz de reforçar “a oferta cultural do concelho e contribuir para a afirmação de Caminha, enquanto destino turístico de referência”.
A Casa Ventura Terra foi adquirida pelo município em 5 de julho de 2002, por 224.459 euros, à época, com o objetivo de preservar e valorizar o património histórico local. No entanto, apesar de várias intenções e projetos apresentados ao longo dos anos, a intervenção concreta no imóvel tem sido adiada repetidamente, em parte devido a dificuldades de financiamento e à degradação gradual das estruturas.
Em 14 de julho de 2013, por ocasião do 147º aniversário de Miguel Ventura Terra, a Câmara Municipal apresentou um projeto de reabilitação, com a participação da Associação Ventura Terra. O plano previa uma combinação de funções museológicas, tertúlias culturais e um espaço de apoio turístico, incluindo, até, um pequeno hostel, para garantir a sustentabilidade financeira. “A Casa Ventura Terra não pode ser, apenas, um monumento. Tem de ser um espaço vivo, que traga gente e atividades à freguesia de Seixas”, declarou, na altura, a então presidente da Câmara Municipal, Júlia Paula Costa, sublinhando o papel da parceria com a Associação local.
Numa nota recente, o Executivo municipal enfatiza que o novo impulso ao processo agora lançado pretende “preservar a memória coletiva, potenciar os recursos culturais do concelho e projetar Caminha para o futuro”. A estratégia inclui a integração da Casa numa futura rota cultural do concelho, com novos circuitos de visitação e experiências históricas que valorizem o legado de Ventura Terra e a identidade local.
Para além de reforçar o turismo cultural, a intervenção procura “criar emprego local e dinamizar a economia criativa”, alinhando-se com a estratégia municipal de valorização do património e desenvolvimento territorial.
O arquiteto Miguel Ventura Terra nasceu em 14 de julho de 1866, em Seixas, e é considerado um dos nomes mais influentes da arquitetura portuguesa, autor de obras emblemáticas como o Teatro Politeama, o Liceu Camões e a Assembleia da República, em Lisboa. A recuperação da sua antiga residência pretende, agora, dar vida a esse legado, tornando-se um ponto de encontro cultural e turístico em Seixas.
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