O Executivo municipal de Arcos de Valdevez aprovou, em reunião extraordinária, um orçamento de 51 milhões de euros para 2026, o maior de sempre do concelho, mas enfrentou a oposição dos dois vereadores do PS, que criticaram o documento por falta de consulta e excesso de despesa com pessoal.
“Trata-se do maior orçamento de sempre do município”, afirmou o presidente da Câmara Municipal, Olegário Gonçalves (PSD), lembrando que o valor representa um aumento de seis milhões face aos 45 milhões aprovados para 2025. Segundo o autarca, o orçamento mantém uma política de incentivos fiscais e económicos “favoráveis às famílias, aos jovens e às empresas, através da isenção e da redução de impostos e taxas municipais”. Entre as medidas destacam-se a taxa reduzida de IMI, de 0,34%, o IMI Familiar, a isenção de IMT, a fixação da taxa variável de IRS em 3%, e a isenção de derrama, “à semelhança dos anos anteriores”, disse Olegário Gonçalves.
Os vereadores do PS justificaram o voto contra criticando a falta de auscultação da oposição e a abordagem “monolítica” do orçamento. “Tivemos acesso ao documento a menos de 48 horas da sua votação. Trata-se de um pacote hipertrofiado pelo PRR e fundos europeus, com exatamente as mesmas medidas que víamos no orçamento de 2025 e uma visão curta, preocupada apenas em ver gruas erguidas e betoneiras a circular”, referem os socialistas.
Outro ponto de discordância é a contratação de 114 novos trabalhadores pelo município, um aumento que os vereadores do PS consideram “sem paralelo nas décadas mais recentes”. “Sabemos que as despesas com pessoal aumentam de sete para oito milhões de euros, mas isso não chega para responder à massa salarial de 114 novos trabalhadores, mais de um terço do número de trabalhadores atuais no município”, sublinharam.
O presidente da Câmara Municipal evitou comentar esta crítica, mas garantiu que o orçamento prevê “investimentos de 4,9 milhões de euros na educação e quatro milhões de euros na saúde e na ação social”. Outras áreas prioritárias incluem habitação (dois milhões de euros), ordenamento do território (1,5 milhões), património e cultura (6,6 milhões) e rede de infraestruturas básicas e ambiente (6,5 milhões).
O orçamento inclui, ainda, verbas para desporto, lazer, transporte, reabilitação da rede viária, segurança, indústria, energia e apoio aos sectores comercial, rural e turístico.
c/ Lusa
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