Escrever faz parte do quotidiano do Pe. Ricardo Esteves. Entre as cinco Paróquias que acompanha em Valença e as exigências da vida sacerdotal, encontra, todos os dias, tempo para pôr em palavras aquilo que pensa, questiona e vive. Muitas dessas reflexões chegam, depois, às redes sociais e, agora, deram origem a "Deixa Deus Entrar", o seu primeiro livro publicado pela Contraponto.
Dirigido tanto a quem vive a fé, como a quem dela se mantém distante, o livro nasce de uma vontade de dialogar sobre Deus e sobre a forma como a fé pode encontrar lugar na vida de hoje. Nesta conversa, o Pe. Ricardo Esteves fala sobre o processo de escrita, aquilo que o leva a escrever diariamente e os desafios de ser sacerdote num tempo em que acreditar é, também, uma forma de fazer perguntas.
Mais do que uma forma de partilhar pensamentos, a escrita tornou-se uma ferramenta de proximidade, permitindo-lhe chegar a pessoas com percursos, dúvidas e experiências diferentes. Através de palavras simples e de reflexões ligadas ao quotidiano, o sacerdote procura mostrar que a fé não está desligada das inquietações do mundo atual, mas pode dialogar com elas e ajudar a encontrar novas perspetivas sobre a vida. Neste percurso, a publicação do livro representa, também, uma nova etapa, ao transportar para o papel reflexões que, até agora, chegavam sobretudo ao público através do meio digital.
Notícias de Viana (NdV): O que significa deixar Deus entrar? Porquê este título?
Pe. Ricardo Esteves (PRE): Para quem frequenta a igreja, “Deixa Deus entrar” pode parecer um título muito básico. Mas, escrevi este livro com a intenção de atingir outro tipo de público, não só quem já é crente. “Deixar Deus entrar” significa que parte da nossa ação passa por abrirmos a porta. Não é um Deus que manda a porta abaixo: a nossa porta está, muitas vezes, fechada à realidade espiritual e, quando alguém bate, somos nós que temos de querer abrir. Sobretudo a porta do coração, para, pelo menos, escutarmos esta novidade que há em Cristo. Para muita gente, a palavra de Deus não traz novidade, mas, se soubermos vivê-la em cada tempo, conseguimos viver a fé, e as circunstâncias da vida, as boas e as menos boas, de uma forma diferente.
(NdV): Esta não é a sua primeira obra. O que o motivou a escrever este livro?
(PRE): Escrevo sempre para mim. A escrita é um processo de cura: falo dos meus defeitos, dos meus sonhos, daquilo que ficou para trás e que já não vou atingir, dos desânimos, mas também da fortaleza para fazer algo diferente. Depois, tento romanceá-lo numa história e lançá-lo para toda a gente, para que seja universal.
Aquilo que partilho nos livros e nas redes sociais são, no fundo, cliques. Não trago ideias novas para ninguém, mas, pela forma simples como são passados, aquele clique pode ficar a martelar na cabeça de quem lê. Quando estamos a passar por uma separação, uma doença, a perda de um pai ou de um amigo, há cliques que nos são bem-vindos e nos fazem repensar a vida.
(NdV): O que espera que cristãos, e até não cristãos, retirem das suas reflexões?
(PRE): Sobretudo, a fé, e não falo apenas da fé em Deus. Fé e esperança são duas irmãs gémeas, mas a fé é mais forte e mais profunda. A esperança dá a sensação de ficar à espera de que a coisa venha ter connosco. Fé, é fazer-me ao caminho: não fico à espera que chegue até mim; tento encurtar a distância.
O que pretendo é alimentar uma ideia positiva às pessoas, independentemente do dissabor que estejam a viver: a vida só faz sentid
Torne-se assinante e tenha o poder da informação do seu lado.
Notícias atuais e relevantes que definem a atualidade e a nossa sociedade.
Espaço de opinião para reflexões e debates que exploram análises e pontos de vista variados.