Projeto HER da UNIPVC acompanha mulheres durante e após os tratamentos do cancro da mama

Criado em 2022, na Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC), o projeto HER procura acompanhar e apoiar mulheres durante e após os tratamentos do cancro da mama, através de um programa de exercício físico adaptado. Atualmente, a iniciativa acompanha 30 participantes e pretende alargar a sua intervenção a mais mulheres, sem comprometer a qualidade e a individualização do acompanhamento.

Catarina Faria
5 Nov. 2026 3 mins

Segundo os estudos a fadiga, a perda de força muscular, as limitações de mobilidade e o receio de praticar exercício físico são algumas das dificuldades que podem surgir na sequência do diagnóstico e dos tratamentos do cancro da mama, desta forma, a iniciativa pretende responder a estas necessidades, desenvolvendo um programa de exercício adaptado.

O projeto é coordenado e dinamizado por Sílvia Rodrigues, docente da Escola Superior de Desporto e Lazer do IPVC, e por Margarida Marinho, estudante de doutoramento em Ciências do Desporto. A intervenção assenta numa abordagem individualizada, que procura respeitar a condição clínica, as capacidades e as necessidades de cada mulher.

Antes de iniciarem a prática de exercício físico, todas as participantes são submetidas a uma avaliação que inclui a recolha da história clínica, a realização de testes físicos e funcionais e o preenchimento de questionários relacionados com sintomas de ansiedade e depressão e com a qualidade de vida.

“Sabemos que, durante os tratamentos, sobretudo a quimioterapia, a fadiga é uma das principais barreiras à prática de atividade física e pode influenciar a perceção do esforço”, descreve Sílvia Rodrigues, defendendo que “por isso, trabalhamos com grupos pequenos, de cinco a seis participantes por sessão, o que nos permite assegurar um acompanhamento próximo e individualizado”. 

A docente sublinha que esta proximidade é uma das características que a equipa pretende preservar, mesmo perante a ambição de alargar o projeto a um maior número de participantes.

Para além da componente física, o HER assume, também, uma importante dimensão social, dado que as sessões em grupo proporcionam momentos de convívio e partilha entre mulheres que vivem ou viveram experiências relacionadas com a doença, contribuindo para combater o isolamento e reforçar a motivação para a prática de exercício físico.

Desde o início da atividade, o projeto já avaliou um número de mulheres superior às 30 que atualmente acompanha. No entanto, nem todas conseguiram integrar o programa, sendo a localização das sessões um dos principais obstáculos identificados pela equipa.O alargamento da intervenção constitui um dos objetivos para o futuro próximo, embora a expansão tenha de ser acompanhada pelas condições necessárias para manter a qualidade do acompanhamento prestado.

“Gostaríamos muito de alargar o projeto a mais mulheres, mas esse crescimento exige um equilíbrio entre a divulgação do projeto e a nossa capacidade de resposta para garantir a qualidade do acompanhamento”, afirma a docente.

O programa destina-se a mulheres com diagnóstico atual ou anterior de cancro da mama, independentemente da fase dos tratamentos em que se encontram ou do tempo decorrido desde a sua conclusão, desde que não apresentem contraindicações para a prática de exercício físico.

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