UNIPVC ambiciona atrair novos projetos, captar investimento e criar postos de trabalho

A Semana de Investigação, Inovação e Transferência de Tecnologia da Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC) arrancou com um balanço do percurso e das conquistas da instituição, destacando o desenvolvimento de centros de tecnologia e inovação, os financiamentos obtidos e os investimentos concretizados. A sessão de abertura ficou, também, marcada pela valorização do trabalho dos investigadores e pelo reconhecimento internacional alcançado pela instituição.

Catarina Faria
13 Out. 2026 5 mins

Para Carlos Rodrigues, reitor da UNIPVC, os últimos tempos foram marcados por um “período de marcadas alterações”. Entre os principais marcos, destacou a criação de três doutoramentos, cujas candidaturas ultrapassaram o número de vagas disponíveis, a mudança de denominação da instituição e o reforço da aposta em três áreas estratégicas: investigação e inovação, transferência de tecnologia e conhecimento e implementação de políticas transfronteiriças. Estes eixos constituem pilares da estratégia de desenvolvimento da universidade.

Segundo Carlos Rodrigues, a mudança de denominação pretende desconstruir a imagem associada à instituição, sublinhando que “não foi uma mera alteração de nome”, mas antes uma “alteração de estigmas”. O reitor recordou que, apesar de o nível de exigência colocado ao antigo Instituto Politécnico de Viana do Castelo ser equiparável ao das universidades, essa realidade nem sempre se refletia na perceção externa.

Esta transformação poderá permitir atrair “maior investimento” e conferir um novo alcance ao trabalho desenvolvido pela instituição, cujo “impacte […] na região vai ser diferente”. Para o responsável, um dos fatores determinantes passa pelo reforço da ligação ao tecido empresarial, através da criação de três centros de tecnologia e inovação: o Centro de Interface Tecnológico e Industrial (CiTin), sediado em Arcos de Valdevez; o 3AR – Centro de Valorização e Transferência de Tecnologia do Agroalimentar, em Ponte de Lima; e o SUSTEMARE – Centro de Tecnologia e Inovação em Energias e Tecnologias Oceânicas, localizado junto à Praia Norte, em Viana do Castelo. As três estruturas já têm financiamento aprovado para a sua construção, num investimento global superior a 13 milhões de euros, com um prazo de execução de dois anos.

A aprovação da universidade europeia SUNRISE, financiada pelo programa Erasmus+ da União Europeia, permitiu à UNIPVC captar dois milhões de euros. A iniciativa reúne nove universidades de oito países e mais de 60 parceiros estratégicos, tendo como principais eixos de atuação a mobilidade, o ensino, a investigação e o serviço à sociedade. De acordo com o reitor, a mobilidade assume um papel central no projeto, representando 50% da sua dimensão. A iniciativa pretende reforçar a “cooperação entre as instituições de ensino superior envolvidas e promover a partilha de experiências e conhecimentos entre as respetivas comunidades académicas”.

Investigação científica e financiamento em destaque

Por sua vez, Luís Paulo Rodrigues, pró-reitor da UNIPVC, destacou a posição alcançada pela instituição no World University Rankings, em que, segundo os dados apresentados, ocupa o primeiro lugar entre as universidades politécnicas da sua categoria. Para o responsável, este reconhecimento reflete o percurso de crescimento da instituição, afirmando que “passo a passo nos transformamos na melhor universidade do mundo”.

No domínio da investigação científica, o pró-reitor revelou que, em 2025, foram publicados mais de 500 artigos científicos, dos quais 197 em revistas de referência. De acordo com os dados apresentados, a UNIPVC é a segunda universidade politécnica com “maior produção científica”. O objetivo passa agora por “aumentar o impacte na investigação científica”. Atualmente, três investigadores da instituição integram o grupo dos 2% mais citados a nível mundial. Luís Paulo Rodrigues destacou ainda que, ao longo de dez anos, a UNIPVC criou dez unidades de investigação.

No que diz respeito ao financiamento, o pró-reitor salientou os montantes captados através de diferentes programas e entidades. Segundo o responsável, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia atribuiu 1,3 milhões de euros à instituição, permitindo desenvolver mais de 31 tecnologias que integram atualmente o seu portefólio. No âmbito do programa Norte 2030, a universidade captou 11,7 milhões de euros para financiar 19 projetos. Já através do Plano de Recuperação e Resiliência, foram financiados 42 projetos, num montante global de 25,6 milhões de euros.

A estes valores juntam-se 111 projetos financiados, ainda em execução, dos quais 77 nacionais e 44 internacionais, que representam um investimento de 52,2 milhões de euros. O pró-reitor destacou ainda os 46,1 milhões de euros associados a projetos cofinanciados.

Quanto às perspetivas futuras, Luís Paulo Rodrigues revelou que a UNIPVC pretende alargar a sua estrutura e reforçar a capacidade de investigação. Entre as metas definidas estão o aumento do número de membros para 150 até 2027, o reforço da atividade científica e a apresentação de 14 candidaturas ao programa Horizonte Europa, entre 2026 e 2027. A instituição ambiciona, ainda, aumentar para quatro o número de doutoramentos até ao final de 2026 e criar 110 postos de trabalho, consolidando a aposta na investigação, na inovação e na transferência de conhecimento.

Tags Economia

Em Destaque

Notícias atuais e relevantes que definem a atualidade e a nossa sociedade.

Opinião

Espaço de opinião para reflexões e debates que exploram análises e pontos de vista variados.

Explore outras categorias