O Conselho Estratégico da Cultura do Norte – órgão de aconselhamento e reflexão da CCDR-Norte – foi instituído com o principal objetivo de avaliar a implementação dos investimentos para a Cultura do NORTE 2030.
No final de 2024, este órgão consultivo elegeu três projetos como “especialmente estruturantes e estratégicos” para a região Norte: as “Rotas do Norte”, um programa de reabilitação e promoção de bens patrimoniais com potencial turístico, desenvolvido em parceria com a Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte; o “NASONI – Centro de Inovação em Conservação e Restauro”, promovido por 12 instituições e empresas da região, para criação de uma infraestrutura de capacitação pública e empresarial tendo em vista a realização de intervenções de restauro em património cultural muito relevante; e finalmente a “Rede de Polos Arqueológicos”, um projeto âncora para a conservação e valorização de espólios e sítios arqueológicos.
Em agosto de 2025, tive a oportunidade de escrever um pouco, aqui no NdV, sobre o programa “Rotas do Norte”, tendo deixado em aberto uma abordagem, em período mais propício, para escrever sobre os outros dois projetos. Chegou agora, pois, o momento ideal para escrever sobre a “Rede de Polos Arqueológicos”, mais especificamente, sobre o polo apresentado por estes dias para a região do Alto Minho.
Com uma dotação de 4.8 milhões de euros, o projeto da CCDR-Norte pretende criar redes intermunicipais, com centros de salvaguarda, investigação e valorização de espólios arqueológicos na região Norte de Portugal. Estão já vários polos definidos, como por exemplo, o Polo Arqueológico de Braga e Terras de Bouro, o do Tâmega e Sousa, o Polo Arqueológico da CIMDouro ou, o que mais nos importa agora, o Polo Arqueológico do Alto Minho.
O projeto envolve os dez municípios que compõem a comunidade intermunicipal do Alto Minho, sendo investidos 1.23 milhões de euros diretamente na cultura e no património da nossa região. Para já avançará a empreitada de construção do espaço, em Viana do Castelo, na Zona Industrial da Praia Norte, devendo tudo ficar operacional dentro de dois anos. Um investimento louvável, com a criação de uma infraestrutura de excelência, diretamente vocacionada para a valorização e conservação do património do Alto Minho.
Louvor ainda, para o Município de Viana do Castelo, que conseguiu trazer para si, este polo de conhecimento e investigação. Qualquer um dos outros nove municípios da CIM teria todo o interesse em receber uma infraestrutura com esta importância. Não nos admiremos. Ainda por estes dias foi notícia que (e passo a citar) “Braga e Terras de Bouro disputam Polo Arqueológico com financiamento garantido de 600 mil euros”. Enquanto vianense e agente do setor cultural, sinto-me honrado e orgulhoso por Viana do Castelo receber esta infraestrutura. Penso também que, dos polos previstos, o do Alto Minho, é o que se encontra em fase mais avançada de desenvolvimento.
De referir que o espaço contará ainda com os meios tecnológicos necessários para receber as famosas pirogas monóxilas do Rio Lima. Este Tesouro Nacional poderá finalmente regressar a casa, com todas as condições de preservação e fruição/visita. Não posso deixar de mencionar também o compromisso assinado entre o Município de Viana do Castelo e a Universidade Politécnica de Viana do Castelo, que permitirá assegurar programas de investigação e apoio científico por parte dos docentes e investigadores da UNIPVC.
Em modo de síntese: tudo perfeito e ótimas notícias para a cultura e para o património da nossa região. O meu único receio, devo confessar, é que o espaço possa – a muito curto prazo – ser insuficiente, quer em termos espaciais, quer em termos técnicos e humanos. Com efeito, o Homem é um produtor contínuo de arqueologia, sendo que 600 m2 de implantação, facilmente absorverão uma grande quantidade de material arqueológico. É bom que o nosso executivo tenha já em mente um possível futuro plano de expansão do Polo Arqueológico!
Por fim, fica reiterada a promessa de agosto de 2025, de voltar a estes três projetos “especialmente estruturantes”, analisando, por fim, o “NASONI – Centro de Inovação em Conservação e Restauro”, e o impacto que este terá sobre a nossa região.
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