Alto Minho lidera crescimento migratório no norte entre 2021 e 2025, ultrapassando grandes polos populacionais

O norte de Portugal atingiu um “valor acumulado positivo” de 231,5 mil pessoas através das migrações entre 2011 e 2025, resultado da diferença entre a população que entrou e a que saiu da região. O valor corresponde a uma taxa de crescimento migratório de 6,4%, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), apresentados no relatório Norte Estrutura da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte.

Notícias de Viana
16 Set. 2026 3 mins

A evolução, contudo, não foi uniforme ao longo dos 15 anos analisados. Entre 2011 e 2015, o norte registou um saldo migratório negativo de 54,8 mil pessoas, num período marcado pela crise económica e financeira e pelo aumento da emigração. A tendência inverteu-se entre 2015 e 2021, quando a região passou a apresentar um saldo positivo de 51,2 mil pessoas, acompanhando a recuperação da atividade económica e do emprego.

Foi, porém, entre 2021 e 2025 que se verificou o crescimento mais expressivo. Nesse período, o norte registou um saldo migratório positivo de 235,2 mil pessoas, correspondente a uma taxa de crescimento migratório de 6,3%. O aumento está associado ao reforço dos fluxos migratórios internacionais e ao crescimento da imigração.

Apesar deste crescimento, a dinâmica migratória do norte ficou abaixo da registada no conjunto do país. Portugal acumulou, entre 2011 e 2025, um saldo migratório de cerca de 1,3 milhões de pessoas, com uma taxa de crescimento migratório de 12%.

À escala das regiões no norte do país, o Alto Minho apresentou a maior taxa de crescimento migratório entre 2011 e 2025, com 9,4%, correspondente a um saldo migratório acumulado de 22,2 mil pessoas. O desempenho poderá estar relacionado, em parte, com a “proximidade da Galiza e a crescente integração transfronteiriça” lê-se no documento.

O Alto Minho é seguido pelo Cávado, com 9,2%, e pela Área Metropolitana do Porto, com 8%. Terras de Trás-os-Montes registou 6,7%, o Ave 5,3%, o Alto Tâmega e Barroso 3,8% e o Douro 0,9%. Em sentido contrário, o Tâmega e Sousa foi a única sub-região a apresentar uma taxa negativa, de -1,3%, no conjunto do período.

A realidade mudou, contudo, nos anos mais recentes. Entre 2021 e 2025, todas as regiões do norte registaram taxas de crescimento migratório positivas, com o Alto Minho novamente na liderança, com 8,4%.

A tendência também é visível à escala municipal. Entre 2011 e 2025, 66 dos 86 municípios do norte apresentaram um saldo migratório positivo. No período mais recente, entre 2021 e 2025, esse número subiu para 83 municípios, ficando apenas três com saldos negativos. Valença foi o município com maior taxa de crescimento migratório entre 2021 e 2025, com 20,8% e Vila Nova de Cerveira, com 17,9%.

Os dados mostram que a imigração se tornou uma importante força de crescimento demográfico no norte, com impacto não apenas nas grandes cidades, mas também em territórios de menor dimensão e, particularmente, em municípios fronteiriços como os do Alto Minho.

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