O distrito de Viana do Castelo é o sétimo do país onde foram destruídos mais ninhos de vespa-asiática (Vespa velutina) desde o início do plano nacional de combate à espécie invasora. Em dez anos, foram eliminados 13.422 ninhos na região, ficando atrás dos distritos do Porto, Braga, Viseu, Aveiro, Coimbra e Leiria.
O ano de 2021 foi o mais crítico no Alto Minho, com a destruição de mais de 2.000 ninhos. Este ano, até ao final dos primeiros sete meses, foram eliminados 110 ninhos. Desde que a espécie foi detetada em Portugal, os números anuais no distrito de Viana do Castelo nunca desceram abaixo dos 900 ninhos destruídos. Em 2021, ano de maior incidência na região, foram registados em todo o país mais de 32 mil ninhos.
Desde o início do balanço nacional da espécie invasora, já foram destruídos mais de 210 mil ninhos em Portugal. A taxa de destruição tem-se mantido acima dos 90% dos ninhos sinalizados. Em 2026, até ao momento, foram identificados em Portugal 5.082 ninhos e foram eliminados 5.036, o que corresponde a uma taxa de destruição de 99,1%.
Com o objetivo de reforçar o combate à vespa-asiática, a Câmara Municipal de Viana do Castelo disponibilizou, recentemente, uma plataforma online através da qual os cidadãos podem comunicar a localização de ninhos avistados.
No formulário, disponível no portal do município, os munícipes devem indicar o nome e contacto telefónico, a data da observação, o acesso ao local, o suporte onde se encontra o ninho, a altura aproximada, a existência de vespas em voo e outras informações consideradas relevantes.
A autarquia sublinha que a colaboração da população é “essencial para permitir uma resposta mais rápida e eficaz por parte dos serviços responsáveis pela destruição dos ninhos”, lê-se em comunicado.
De acordo com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a história da vespa-asiática é semelhante à de muitas outras espécies exóticas invasoras, introduzidas acidental ou intencionalmente fora da sua área de distribuição natural. Ao encontrarem condições favoráveis e poucos predadores naturais, estas espécies expandem-se rapidamente, causando impactos significativos nos ecossistemas.
No caso da vespa-asiática, trata-se de um inseto social que representa uma ameaça para a biodiversidade, sobretudo para as abelhas e outros insetos polinizadores autóctones.
A vespa-asiática distingue-se facilmente da vespa-europeia por apresentar um corpo mais escuro e ligeiramente maior. As obreiras medem entre 17 e 32 milímetros, enquanto a rainha pode atingir os 35 milímetros de comprimento. O corpo é predominantemente negro e aveludado, tal como as asas. As patas são castanhas, mas apresentam as extremidades amarelo-vivo, uma das características mais distintivas da espécie. O abdómen possui uma faixa amarela no quarto segmento, enquanto a cabeça é preta com a face de tonalidade amarelo-alaranjada.
A subespécie Vespa Velutina foi identificada oficialmente pela primeira vez em França, em 2004, tendo sido introduzida, muito provavelmente, de forma acidental através do comércio de mercadorias provenientes da Ásia.
Depois de se expandir rapidamente pelo sudoeste francês, chegou ao nordeste de Espanha em 2010, alcançou Girona em 2011 e, no mesmo ano, foi confirmada pela primeira vez em Portugal, na região de Viana do Castelo. No ano seguinte, a espécie foi igualmente identificada na Galiza, continuando desde então a alargar a sua distribuição pela Península Ibérica.
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