A Guarda Nacional Republicana registou cerca de 300 burlas por “falso funcionário” e mais de 670 burlas informáticas com obtenção ilegítima de dados apenas nos primeiros três meses de 2026, alertando para o crescimento do recurso à técnica de “spoofing” por grupos criminosos especializados.
Segundo dados divulgados pela GNR, foram registadas 298 ocorrências de burla por falso funcionário entre janeiro e março deste ano, além de 671 crimes relacionados com obtenção ilegítima de dados através de meios informáticos e comunicações.
A Guarda sublinha que os números “revelam uma profissionalização crescente dos grupos criminosos”, que recorrem cada vez mais a mecanismos de manipulação psicológica e falsificação da identidade de contactos telefónicos, mensagens ou emails para aumentar a credibilidade das burlas.
Entre os casos registados no primeiro trimestre, destacam-se as situações em que os suspeitos se fizeram passar por agentes de autoridade. Segundo a GNR, 86% das tentativas de burla que simularam entidades policiais acabaram consumadas.
Os dados indicam ainda que os criminosos usaram sobretudo identidades falsas associadas a bancos, forças de segurança, empresas de energia e serviços públicos de saúde e segurança social.
No comunicado divulgado esta segunda-feira, a GNR descreve o “spoofing” como uma técnica de falsificação da origem de uma comunicação para “simular uma fonte legítima e confiável”. Na prática, o objetivo passa por fazer com que no telemóvel ou no email da vítima apareça um contacto aparentemente oficial, aumentando a probabilidade de esta fornecer dados pessoais, códigos bancários ou realizar transferências.
A Guarda distingue ainda o conceito de “spoofing” do chamado “phishing”. Enquanto o phishing corresponde ao ataque propriamente dito — através de links maliciosos ou pedidos fraudulentos de informação — o spoofing funciona como mecanismo para tornar essa fraude mais credível.
Segundo a força de segurança, os burlões recorrem frequentemente a estratégias de engenharia social assentes em fatores como urgência, intimidação ou autoridade. Entre os exemplos apontados estão mensagens que alegam bloqueios iminentes de contas bancárias, processos judiciais ou falsas instruções de entidades policiais.
Os números divulgados mostram também uma tendência de crescimento deste tipo de criminalidade nos últimos anos. Em 2024 foram registadas 974 burlas por falso funcionário; em 2025 o número subiu para 1092 ocorrências.
No primeiro trimestre deste ano, a GNR efetuou duas detenções relacionadas com estas tipologias criminais, após diligências de análise técnica e cooperação com instituições bancárias e operadoras de telecomunicações.
A Guarda deixa ainda vários alertas à população, recomendando que nunca sejam fornecidos códigos de segurança, palavras-passe ou dados bancários por telefone, SMS ou email, mesmo quando o contacto aparenta ser de uma entidade oficial.
“Nenhuma entidade oficial ou bancária solicita códigos de segurança, palavras-passe ou transferências imediatas por telefone ou SMS”, recorda a GNR, apelando também à denúncia de tentativas de fraude, mesmo quando estas não chegam a ser consumadas.
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