O Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial do Rio Minho aprovou por unanimidade as contas de 2025, com resultados positivos e uma capacidade de captação de investimento próxima dos quatro milhões de euros. Ainda assim, o balanço anual ficou marcado por críticas à falta de coordenação política entre Portugal e Espanha em dossiês considerados estruturais.
De acordo com o relatório aprovado, o agrupamento registou um resultado líquido de 91.743,96 euros e um saldo de gerência de 177.881,65 euros. O valor mais relevante, contudo, está fora das contas diretas: cerca de 3,97 milhões de euros associados à aprovação de projetos para o território.
Criado em 2018, o AECT reúne 26 municípios de ambas as margens do Rio Minho, 10 da Comunidade Intermunicipal do Alto Minho e 16 da província de Pontevedra, com o objetivo de “promover a coesão económica e social numa região de cerca de 376 mil habitantes”.
Entre os projetos em curso estão iniciativas de valorização ambiental, mobilidade sustentável e promoção turística conjunta. O ECOFRONT_MINHO, por exemplo, aposta na gestão de infraestruturas verdes e na eventual candidatura a Reserva da Biosfera da UNESCO, enquanto o “Ribeiras Vivas” prevê a criação de uma rede de percursos ao longo dos rios Minho e Lima.
Mas nem tudo são indicadores positivos. No encontro realizado em Valença, os membros da assembleia geral apontaram “a persistente ausência de respostas políticas conjuntas” por parte de Lisboa e Madrid, sobretudo em matérias como a navegabilidade do rio e a gestão ambiental.
A crítica não é nova, mas ganha peso num momento em que o agrupamento tenta afirmar-se como plataforma de cooperação transfronteiriça. “A aprovação unânime das contas reflete a confiança dos membros”, afirmou o diretor, José Manuel Vaz Carpinteira, sublinhando a “capacidade da instituição para continuar a gerar valor para o território”.
Ainda assim, o contraste entre a execução técnica dos projetos e a falta de decisões políticas de maior escala levanta dúvidas sobre o alcance dessa estratégia. Sem uma articulação mais eficaz entre os dois Estados, admitem fontes ligadas ao processo, vários dos problemas estruturais do Rio Minho poderão continuar por resolver, independentemente do financiamento captado.
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