A Sé Catedral de Viana do Castelo e a Igreja de Santo António estão em processo de requalificação, num investimento global superior a dois milhões de euros que pretende preservar dois dos principais marcos patrimoniais de Viana do Castelo e reforçar a sua fruição pública, cultural e turística.
As intervenções decorrem no âmbito do programa Norte 2030 e incluem tanto a recuperação material dos edifícios como ações de valorização, nomeadamente conteúdos digitais e instrumentos de mediação para visitantes.
Na Sé, os trabalhos decorrem sem encerramento ao público, incidindo na conservação de pinturas murais, elementos decorativos em cantaria, melhoria da iluminação e restauro do órgão histórico do século XVI.
O pároco, Armando Dias, enquadrou a intervenção na necessidade de responder ao desgaste acumulado.“O tempo passa para todos e para tudo, também para os templos”, afirmou, referindo problemas identificados nas pinturas e nos elementos decorativos, bem como limitações na iluminação, que “não permite uma verdadeira contemplação destas obras”.
O responsável destacou ainda a dupla função do espaço. “Esta é a casa de todos, mas também a casa dos que nos visitam”, disse, sublinhando a integração da Sé em várias rotas turístico-culturais.
A intervenção ronda os 600 mil euros, com financiamento comunitário maioritário, implicando ainda um esforço financeiro da paróquia.
Do ponto de vista técnico, o conservador-restaurador Carlos Costa explicou que a obra tem sido faseada para compatibilizar trabalhos e utilização do espaço. “Foi necessário sectorizar a intervenção. Estamos sensivelmente a meio dos trabalhos”, referiu, acrescentando que o objetivo é “conservar, consolidar e limpar”, sem alterar a identidade do monumento.
Segundo o responsável, foram identificadas zonas em risco. “Havia bolsas nas pinturas que poderiam colapsar em poucos anos. A intervenção era urgente”, referiu.
Já a Igreja de Santo António, fechada “há cerca de 20 anos” por questões de segurança, está a ser alvo de uma intervenção estrutural profunda, num investimento superior a 1,4 milhões de euros.
A arquiteta responsável, Joana Araújo, descreveu um edifício marcado pela degradação associada à falta de uso. “Temos patologias de infiltrações, estruturas obsoletas e um conjunto de problemas que se agravaram ao longo do tempo”, explicou.
A intervenção inclui reforço estrutural, reabilitação de interiores e exteriores, renovação de infraestruturas e recuperação do património artístico. “O objetivo é devolver o uso à igreja, garantindo condições de segurança, celebração e visitação”, acrescentou.
O projeto contempla ainda a valorização do espaço, incluindo a possibilidade de visita a áreas como criptas, e a criação de conteúdos de interpretação para o público.
O pároco Armando Dias sublinhou o percurso até à concretização da obra. “Ao longo destes 20 anos tem sido feito um grande esforço para reabrir este templo. Esta intervenção permitirá finalmente devolvê-lo à cidade”, afirmou.
Nas intervenções públicas, o presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Luís Nobre, insistiu na ideia de responsabilidade partilhada. “O património é da comunidade, é de todos. Temos mesmo de cuidar”, afirmou.
No caso da igreja de Santo António, destacou ainda o papel da colaboração entre diferentes entidades. “É um exemplo de corresponsabilização coletiva. Só com este compromisso conjunto é possível concretizar intervenções desta dimensão”, considerou.
Já o Bispo da Diocese, João Lavrador, apontou para a necessidade de uma abordagem mais consistente à preservação. “O património está sujeito ao tempo e qualquer descuido pode ser irreversível”, alertou., defendendo uma mudança de perspetiva sobre estes espaços. “Uma coisa é a propriedade, outra é o serviço que se presta. Estes lugares têm uma função pública, cultural e turística que deve ser reconhecida e apoiada”, defendeu.
Sobre a Igreja de Santo António, o Bispo destacou também o simbolismo da reabertura. “Durante anos esteve fechada. Agora abre-se para mostrar que há muito por fazer, mas também muito para valorizar”, afirmou, apontando para a importância de conjugar património material e imaterial.
As obras na Sé deverão estar concluídas até ao final de 2026. Já a reabilitação da Igreja de Santo António tem horizonte de conclusão em 2027, altura em que o espaço deverá reabrir ao público.
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