A Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho retirou ao grupo Auto Viação Cura a operação de várias linhas de transporte público na região, depois de o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) ter revogado, com efeitos imediatos, a licença comunitária da empresa.
A decisão obrigou à substituição urgente do operador para evitar a interrupção do serviço, sobretudo para passageiros que dependem dos autocarros nas deslocações diárias e para os alunos que utilizam estas linhas para chegar às escolas.
Segundo o presidente da CIM do Alto Minho, António Barbosa, o organismo foi informado pelo IMT da cessação da licença da transportadora. Perante essa comunicação, o Conselho Intermunicipal avançou com um ajuste direto de caráter urgente, para garantir a continuidade do serviço. “A partir de terça-feira, o serviço público de transportes passou a ser assegurado por outra empresa”, indicou António Barbosa, que é, também, presidente da Câmara Municipal de Monção.
A operação foi atribuída à Empresa de Transportes Courense, empresa do grupo AVIC, que começou a assumir as carreiras no dia 10 de março.
Em comunicado, a CIM do Alto Minho explicou que a revogação da licença comunitária, formalizada através da deliberação do IMT de 4 de março, impossibilitou, de imediato, a Auto Viação Cura de continuar a operar transporte público rodoviário de passageiros.
A comunidade intermunicipal garante que a transição se iniciou “sem registo de interrupções significativas”, embora possam ocorrer anomalias pontuais durante esta fase inicial de adaptação.
Os passes mensais adquiridos junto do operador anterior mantêm-se válidos durante o mês de março. A partir de abril, os passageiros terão de solicitar um novo cartão junto da empresa que, agora, assegura o serviço, sendo os custos de emissão suportados pela CIM, nesta fase de transição.
Alguns passageiros relataram que motoristas terão mencionado, durante as viagens, que a empresa poderia avançar para insolvência, informação que não foi confirmada oficialmente. Contactada, a Auto Viação Cura não respondeu, até ao momento, às tentativas de esclarecimento.
O grupo Auto Viação Cura já enfrentava problemas financeiros nos últimos anos. Em abril de 2022, um ex-motorista da Transcolvia, empresa do mesmo grupo, requereu a insolvência da transportadora por salários em atraso, no valor de cerca de 22 mil euros.
Na altura, o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte indicou que o trabalhador rescindiu contrato, após três meses sem receber salário, e que acabou por vencer a ação em tribunal.
O processo de insolvência da Transcolvia envolvia mais de duas dezenas de credores e dívidas que rondavam os 17 milhões de euros, incluindo um montante superior a 15 milhões reclamado pela Autoridade Tributária.
Nos últimos anos, registaram-se, ainda, paralisações e greves relacionadas com atrasos salariais, levando algumas autarquias da região a recorrer a outros operadores para garantir o transporte escolar.
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