O percurso da renovação litúrgica em Portugal ao longo do século XX é o foco da nova investigação do Pe. Renato Oliveira, sacerdote da Diocese de Viana do Castelo, que analisa a ligação entre o Movimento Litúrgico e a reforma promovida pelo Concílio Vaticano II.
O estudo, intitulado Do Movimento Litúrgico à Reforma Litúrgica do Concílio Vaticano II – Estudo histórico, em perspetiva pastoral, da realidade de Portugal (1926-1969), conta com prefácio de D. José Manuel Cordeiro e baseia-se em fontes inéditas e documentação do arquivo do Secretariado Nacional de Liturgia.
A investigação percorre o período entre 1926, ano do I Congresso Litúrgico Nacional, em Vila Real, e 1969, quando se consolidam os primeiros passos da aplicação da reforma litúrgica em Portugal. Nesse arco temporal, o autor procura identificar etapas, protagonistas e tensões de um processo que descreve como “decisivo na vida da Igreja portuguesa”.
Segundo a apresentação da obra, o objetivo passa por “uma leitura rigorosa e integrada do percurso da renovação litúrgica em Portugal”, sublinhando que esse caminho não pode ser entendido como linear nem isento de debate.
Um dos eixos centrais do estudo é o papel do Movimento Litúrgico na preparação da reforma conciliar. O trabalho sublinha que este movimento contribuiu para ultrapassar “uma visão meramente rubricista da Liturgia, centrada em normas e cerimónias”, favorecendo uma compreensão mais teológica e espiritual da ação litúrgica. Essa evolução, sustenta o autor, foi determinante para o acolhimento da Constituição Sacrosanctum Concilium, documento central da reforma litúrgica aprovada pelo Concílio Vaticano II.
Ao longo da investigação, o Pe. Renato Oliveira descreve a renovação litúrgica como um processo marcado por diferentes ritmos e sensibilidades, onde coexistiram avanços, debates e resistências. A reforma litúrgica não surgiu de forma abrupta no pós-Concílio, mas resultou de um percurso de maturação teológica e pastoral que se foi consolidando ao longo de décadas.
Nesse sentido, o autor defende que a renovação litúrgica exige “discernimento, formação e comunhão eclesial”, alertando para o risco de leituras desligadas desses critérios e da tradição da Igreja.
A dimensão pastoral atravessa toda a obra, que articula a leitura histórica com os desafios atuais da Igreja. O estudo refere que a aplicação da reforma litúrgica continua em curso, mais de seis décadas após a aprovação da Sacrosanctum Concilium.
Na apresentação da obra, sublinha-se ainda a necessidade de uma formação litúrgica consistente e de uma prática celebrativa fiel ao espírito da reforma conciliar, como condição para uma receção plena do Concílio Vaticano II. D. José Manuel Cordeiro destaca a centralidade da Liturgia na vida cristã, referindo-a como “a primeira escola da fé”, e enquadrando o estudo no esforço de aprofundamento da formação litúrgica na Igreja.
Apresentado como o primeiro estudo global sobre o Movimento Litúrgico em Portugal e a implementação da reforma conciliar no país, o livro reúne documentação dispersa e propõe uma leitura integrada de um processo que marcou profundamente a vida eclesial portuguesa.
A obra conclui que “olhar o passado é fundamental para encarar o presente e pensar o futuro”, numa leitura da Liturgia como “fonte e cume da vida da Igreja”.
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