Um em cada 10 portugueses não consegue comprar os medicamentos que lhe são prescritos por falta de dinheiro. O alerta é da Associação Dignitude, que recentemente voltou a lançar a campanha solidária “Dê Troco a Quem Precisa”, uma iniciativa que pretende “reforçar o apoio a famílias em situação de vulnerabilidade económica” através do Programa abem: Rede Solidária do Medicamento.
A campanha decorre em mais de 500 farmácias de todo o país e convida os cidadãos a doarem o troco das suas compras para ajudar quem não tem capacidade financeira para suportar os custos da medicação prescrita.
A diretora executiva da Associação Dignitude, Maria João Toscano, revelou que a falta de acesso à medicação continua a afetar milhares de portugueses. “Apesar de muitas vezes as pessoas acharem que os beneficiários são pessoas desempregadas, muitos trabalham e mesmo assim não conseguem fazer face às suas despesas”, explicou.
A maioria dos beneficiários apoiados pelo programa encontra-se em idade ativa. De acordo com a Associação Dignitude, 64% têm entre os 18 e os 64 anos. Trata-se de agregados familiares com rendimentos per capita inferiores a 365 euros mensais. “São famílias muito vulneráveis e que têm de facto muita dificuldade em fazer face àquilo que é o seu dia-a-dia”, sublinhou Maria João Toscano, deixando ainda um desafio à sociedade portuguesa:“Façam o exercício de viver com 365 euros por mês”.
No distrito de Viana do Castelo, o impacto do programa tem vindo a crescer desde a sua criação. Atualmente, a rede abem: integra 31 farmácias aderentes e apoia 518 beneficiários, que podem levantar gratuitamente os medicamentos prescritos pelos seus médicos mediante apresentação do Cartão abem:.
Desde o lançamento da iniciativa, em 2016, já foram dispensadas mais de 36 mil embalagens de medicamentos no distrito, através de uma rede que envolve farmácias, autarquias e instituições da área social.
A referenciação das famílias é efetuada por entidades locais, entre as quais os municípios de Arcos de Valdevez, Caminha, Melgaço, Paredes de Coura, Valença e Viana do Castelo, bem como instituições particulares de solidariedade social e outros organismos que acompanham situações de carência económica.
Os dados mais recentes mostram que as dificuldades no acesso aos medicamentos continuam a agravar-se. Segundo o relatório “Acesso a Cuidados de Saúde 2025”, da Nova School of Business and Economics (Nova SBE), a probabilidade de uma pessoa pertencente ao escalão económico mais desfavorecido não adquirir toda a medicação necessária aumentou de 41%, em 2023, para 52%, em 2025.
No Alto Minho, a rede de apoio conta com a colaboração de vários municípios, entre os quais Arcos de Valdevez, Caminha, Melgaço, Paredes de Coura, Valença e Viana do Castelo, responsáveis pela referenciação de famílias em situação de comprovada carência socioeconómica.
Entre as farmácias aderentes encontram-se a Beirão Rendeiro e Sousa, em Caminha; a Central, em Arcos de Valdevez; a Durães, em Melgaço; a Moderna, em Valença; a Brito, em Ponte de Lima; e as farmácias Lopes, Popular, Sá da Rocha e São Domingos, em Viana do Castelo.
Criado em 2016 pela Associação Dignitude, o Programa abem: já apoiou mais de 46 mil pessoas em todo o país e permitiu a dispensa de mais de 3,6 milhões de embalagens de medicamentos.
Os donativos podem ser efetuados diretamente nas farmácias aderentes ou através do site do Programa abem: Rede Solidária do Medicamento.
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