As jornadas parlamentares do Partido Social Democrata (PSD) arrancaram em Caminha com apelos à estabilidade política e ao reforço da produtividade, num encontro que reúne deputados, membros do Governo e dirigentes do partido durante dois dias.
Além das intervenções de dirigentes nacionais, a sessão de abertura ficou também marcada por alertas de autarcas do Alto Minho para os estragos provocados pelos temporais que atingiram a região nos últimos meses.
A presidente da Câmara de Caminha, Liliana Silva, abriu os trabalhos sublinhando a resposta das equipas municipais durante os episódios de mau tempo. “Chuva e fúria do mar puseram-nos à prova desde o primeiro dia”, afirmou, destacando o trabalho das equipas que estiveram “no terreno desde o primeiro momento”.
A autarca referiu que a prioridade do município foi apoiar a população e reparar infraestruturas, nomeadamente estradas e zonas costeiras, apontando como um dos casos mais preocupantes o paredão da praia de Moledo. “Tem sido uma situação que nos tem consumido em termos de preocupações e diligências”, disse.
Liliana Silva defendeu que os municípios são “a linha da frente” na resposta a fenómenos extremos, mas alertou que não podem enfrentar sozinhos crises desta dimensão. “Os municípios são a linha da frente, mas não podem estar sozinhos quando enfrentam fenómenos desta dimensão”, afirmou, pedindo ao Estado que responda “com rapidez e eficácia”.
A autarca aproveitou ainda para pedir aos deputados do PSD que não esqueçam o território depois das jornadas. “Não se esqueçam de nós após estas jornadas”, apelou, sublinhando que o concelho foi fortemente afetado pelos temporais e que “parou no tempo” durante os meses mais difíceis.
Também o presidente da distrital do PSD em Viana do Castelo, Olegário Gonçalves, alertou para os impactes das tempestades no Alto Minho, referindo prejuízos de cerca de 2,5 milhões de euros no concelho de Arcos de Valdevez.
O dirigente defendeu ainda incentivos à produção de biomassa para limpeza das florestas e alertou para a necessidade de reforçar os serviços públicos no interior.
No jantar das jornadas, o antigo vice-primeiro-ministro Paulo Portas deixou um apelo à estabilidade política perante um cenário internacional que classificou como incerto. “A melhor coisa que Portugal pode fazer em nome dos seus interesses e dos portugueses é preservar a sua estabilidade”, afirmou.
Paulo Portas alertou também que a melhoria dos salários depende do aumento da produtividade. “A única maneira de melhorar o rendimento médio líquido dos portugueses é aumentando a produtividade”, disse.
Na abertura das jornadas, o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, criticou o secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, no debate sobre o pacote laboral. “Queria ser ele a decretar a morte do diálogo social”, afirmou.
O dirigente social-democrata defendeu que o diálogo na concertação social deve continuar e sugeriu que o PS apelasse à central sindical União Geral de Trabalhadores para regressar às negociações.
Durante as jornadas parlamentares, o ministro da Economia e Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, admitiu que o processo de apoios à reconstrução das casas afetadas pelo mau tempo “não está a correr bem”, mas sublinhou que a responsabilidade pela demora na avaliação das candidaturas recai sobre as autarquias.
Falando num painel sobre o programa Portugal Transformação Recuperação Resiliência (PTRR), lançado após os temporais que causaram 18 mortes e centenas de desalojados, o ministro afirmou que o Governo foi “agilíssimo” na implementação de medidas de apoio às empresas. “Já há 3.725 empresas com 877 milhões de euros na conta, e em processo de contratualização quase 5.000 empresas para um valor de 1.141 milhões de euros”, precisou.
Por outro lado, disse, “onde as coisas não estão a correr bem é na atribuição dos apoios a casas”, com 25 mil candidaturas no valor de 143 milhões de euros, sendo que apenas uma pequena parte do dinheiro chegou às famílias devido à demora das Câmaras Municipais na avaliação dos danos.
Para acelerar o processo, foram contratados 700 técnicos através de protocolos com a Ordem dos Arquitetos, a Ordem dos Engenheiros e outras ordens profissionais, mas o ministro reforçou que “não podemos prescindir do papel das Câmaras neste processo”. “Nós estamos a fazer o que está ao nosso alcance, para que este processo seja rápido. Infelizmente, não está a ser, mas, convenhamos, eu pergunto o que é que o Governo pode fazer mais para acelerar este processo”, concluiu Manuel Castro Almeida.
(notícia atualizada a 11-03-2026)
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