Bloco de Esquerda questiona Bruxelas sobre calendário da alta velocidade entre Porto e Vigo

O Bloco de Esquerda (BE) questionou a Comissão Europeia sobre o calendário da ligação ferroviária de alta velocidade entre Porto e Vigo, após declarações contraditórias sobre os prazos da infraestrutura considerada estratégica para a mobilidade transfronteiriça no Noroeste da Península Ibérica.

Micaela Barbosa
6 Mar. 2026 3 mins

A iniciativa partiu da eurodeputada Catarina Martins, que pediu esclarecimentos a Bruxelas sobre “qual o calendário indicativo definido ao nível europeu para a ligação TGV entre Porto e Vigo”, bem como se a Comissão Europeia está a acompanhar a articulação entre os governos de Portugal, Espanha e a Xunta de Galicia no desenvolvimento do projeto.

No requerimento, a eurodeputada questiona ainda “que avaliação faz a Comissão quanto ao impacto de um eventual adiamento para 2038 nos objetivos de coesão territorial, mobilidade sustentável e descarbonização na Eurorregião Galiza–Norte de Portugal”.

Segundo o BE, “a ligação ferroviária de alta velocidade entre Porto e Vigo é considerada estratégica para a mobilidade transfronteiriça no Noroeste da Península Ibérica”, estando atualmente apontada para conclusão em 2032.

Contudo, o presidente da Xunta de Galicia, Alfonso Rueda, afirmou recentemente que a ligação ferroviária poderá apenas ficar concluída em 2038. A posição tem sido contestada por outros responsáveis ligados à cooperação transfronteiriça. O secretário-geral do Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular, Xoán Mao, manifestou preocupação quanto à ausência de estudos técnicos que sustentem aquela previsão, acusando o responsável galego de dizer “asneiras e mentiras”.

A ligação de alta velocidade entre Porto e Vigo integra o desenvolvimento do Corredor Atlântico ferroviário europeu e pretende reforçar a ligação entre o Norte de Portugal e a Galiza, regiões com fortes relações económicas e sociais.

O objetivo do projeto é “reduzir o tempo de viagem entre as duas cidades”, atualmente superior a duas horas e meia de comboio, para “cerca de 50 minutos” quando a nova infraestrutura estiver concluída.

A futura linha deverá incluir ligações a cidades como Braga, Ponte de Lima e Valença, antes da ligação à rede ferroviária galega em Vigo. O projeto poderá implicar também a construção de uma nova travessia ferroviária internacional sobre o rio Minho.

O investimento insere-se num plano mais amplo de desenvolvimento da alta velocidade em Portugal, que inclui igualmente a ligação entre Lisboa e Porto. Parte do financiamento deverá recorrer a instrumentos europeus, como o Mecanismo Interligar a Europa e financiamento do Banco Europeu de Investimento.

Perante as declarações divergentes, o BE defende que “é necessário clarificar o calendário” do projeto e “garantir maior transparência no processo”. “O Bloco de Esquerda reafirma o seu apoio à concretização célere da ligação ferroviária de alta velocidade entre Porto e Vigo”, refere o partido, considerando tratar-se de “uma infraestrutura estruturante para a coesão territorial, o desenvolvimento económico sustentável e a transição climática na Eurorregião”.

Segundo o partido, “qualquer atraso injustificado compromete metas ambientais e limita o direito à mobilidade das populações”, defendendo por isso “transparência no processo, rigor técnico nas decisões e uma articulação efetiva entre os governos envolvidos e as instituições europeias”.

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