“Da Boca ao Barro”: Design e gastronomia unem-se para valorizar a identidade do Alto Minho na UNIPVC

Estudantes da licenciatura em Design do Produto e em Gastronomia e Artes Culinárias da Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC) estão a desenvolver novas formas de servir a gastronomia do Alto Minho, através da criação de peças de louça em barro que cruzam a tradição artesanal com o design contemporâneo. O desafio surge no âmbito do projeto

Catarina Faria
29 Out. 2026 2 mins

A iniciativa pretende “valorizar o património cultural da região, cruzando a tradição gastronómica e a olaria com o design contemporâneo, através da criação de peças de louça de autor que aliem criatividade, identidade regional e funcionalidade”, explica a instituição.

O projeto parte da ideia de que a identidade gastronómica de um território não se constrói apenas a partir das receitas, mas também dos objetos que acompanham a preparação, a apresentação e o serviço dos alimentos. Neste sentido, os estudantes são desafiados a conceber peças de barro pensadas para pratos da cozinha tradicional alto-minhota, reinterpretando a louça tradicional através de novas formas, materiais e soluções de design.

A iniciativa integra uma estratégia mais abrangente da CIM Alto Minho de valorização do património cultural da região, que abrange, entre outras dimensões, a arquitetura e a habitação tradicional. É neste contexto que a colaboração entre a CIM Alto Minho e a UNIPVC assume particular relevância, ao aproximar diferentes áreas de conhecimento. Enquanto o design se centra na conceção e no desenvolvimento das peças, a gastronomia contribui com o conhecimento das receitas, das características dos alimentos e das exigências associadas à sua apresentação. 

Em comunicado, a UNIPVC descreve que, “a partir desta ligação, os estudantes exploram o potencial do barro, tradicionalmente associado à olaria artesanal, enquanto matéria-prima para novas interpretações”. O objetivo passa, então, por desenvolver peças que, além de expressarem uma identidade visual própria, respondam às necessidades práticas da utilização à mesa e estabeleçam uma relação coerente com os alimentos que se destinam a servir.

Para Ermanno Aparo, docente da UNIPVC envolvido no projeto, o desafio evidencia o potencial da colaboração entre diferentes áreas de formação e da ligação da academia ao território, sublinhado que “este projeto mostra como o design e a gastronomia podem trabalhar em conjunto, cruzando conhecimentos e perspetivas para responder a um desafio concreto”, salientando que “os estudantes têm a oportunidade de aplicar aquilo que aprendem a uma proposta que parte do território e da sua identidade cultural, mas que exige também criatividade, investigação e capacidade de encontrar soluções funcionais”. 

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