Recentemente, foram divulgados os rankings nacionais das escolas relativos a 2025. O Alto Minho apresenta resultados de destaque, com estabelecimentos de ensino a alcançar posições de relevo. No entanto, importa ter em conta que, apesar de ambos partirem dos dados disponibilizados pelo Ministério da Educação, os rankings recorrem a critérios e metodologias de avaliação distintos. Esta diferença faz com que uma mesma escola possa ocupar posições bastante diferentes consoante a análise realizada.
Tendo por base esta realidade, o Notícias de Viana analisou dois rankings distintos: o elaborado pelo jornal Público, em parceria com a Católica Porto Business School, e o publicado pelo jornal Observador, em colaboração com a NOVA School of Business and Economics. A análise incide sobre duas instituições de ensino do distrito de Viana do Castelo: a Escola Secundária de Monção e o Colégio do Minho.
Enquanto o primeiro analisa, entre outros aspetos, a capacidade de superação das expectativas e o percurso escolar dos alunos, o segundo apresenta uma classificação baseada nos resultados dos exames e na equidade. Além disso, o número de disciplinas consideradas também é diferente: o Público contempla oito disciplinas no ranking de superação, enquanto o Observador considera quatro disciplinas na sua análise.
Estas diferenças ajudam a explicar as variações nas posições ocupadas pela Escola Secundária de Monção e pelo Colégio do Minho, demonstrando que a leitura dos rankings deve ter sempre em conta os critérios utilizados em cada análise.
No ranking elaborado pelo Público, a Escola Secundária de Monção destaca-se como o estabelecimento de ensino do Alto Minho com melhor classificação no ranking de superação, ocupando o quarto lugar a nível nacional, apenas três posições abaixo da primeira classificada.
Este indicador avalia 562 escolas, ordenando-as de acordo com a capacidade de superarem a média de resultados esperada para estabelecimentos de ensino com características semelhantes, nos cursos científico-humanísticos. Para esta análise, são consideradas apenas as escolas com, pelo menos, 56 provas realizadas nas oito disciplinas com maior número de inscritos a nível nacional.
Face a 2024, a Escola Secundária de Monção subiu 20 posições neste ranking. Segundo os dados apresentados pelo jornal, a média dos exames foi de 14,08 valores, quando, tendo em conta o perfil da escola, seria expectável uma média de 11,91 valores. Os alunos conseguiram, assim, superar em 2,17 valores o resultado previsto. No ano anterior, a média dos exames tinha sido de 12,77 valores.
Já no ranking de exames, que ordena as escolas com base nas médias obtidas pelos alunos dos cursos científico-humanísticos, a instituição ocupa a 38ª posição. Apesar de ficar numa classificação menos favorável, registou uma subida expressiva de 45 lugares relativamente a 2024. Também neste indicador são apenas consideradas as escolas com, pelo menos, 56 provas realizadas.
No que diz respeito ao contexto socioeconómico dos alunos, a Escola Secundária de Monção está classificada no nível intermédio. Esta classificação resulta de indicadores como a escolaridade dos pais e a percentagem de alunos que não beneficiam de ação social escolar, permitindo distinguir três contextos: favorável, intermédio e desfavorável.
Na escola de Monção, a escolaridade média dos pais situa-se nos 9,14 anos, enquanto a das mães atinge os 11,76 anos. Por sua vez, a idade média dos alunos que frequentam o 12.º ano é de 17,2 anos. Quanto à situação socioeconómica, 77% dos alunos não beneficiam de ação social escolar.
Outro dos indicadores que contribui para a posição alcançada pela escola é o percurso escolar dos alunos, nomeadamente a percentagem daqueles que concluem os cursos científico-humanísticos no período previsto de três anos. Neste parâmetro, a Escola Secundária de Monção apresenta uma taxa de 89,01%, acima da média nacional, fixada nos 76%.
A análise permite, ainda, comparar as classificações obtidas nos exames nacionais com as notas internas atribuídas pelas escolas. Na disciplina de português, por exemplo, foram realizadas 104 provas de exame, com uma média de 14,21 valores, que coloca a escola na 99ª posição nacional. Já no que diz respeito à classificação interna, a média sobe para 15,84 valores, garantindo o 30º lugar.
Importa ressalvar que o número de provas realizadas nem sempre corresponde ao número de alunos inscritos na disciplina, uma vez que existem candidatos autopropostos, que não dispõem de classificação interna por terem anulado a matrícula antes da realização do exame.
No caso do Colégio do Minho, a análise apresenta algumas limitações, uma vez que se trata de um estabelecimento de ensino privado sem contrato de associação. Por esse motivo, determinados indicadores não estão disponíveis. De acordo com a explicação do Público, os dados relativos ao contexto socioeconómico são disponibilizados para a maioria das escolas públicas do Continente, não sendo calculados para os estabelecimentos privados nem para as escolas públicas das regiões autónomas.
No ranking de superação, o Colégio do Minho ocupa a 336ª posição, registando uma subida de 30 lugares relativamente a 2024, ano em que se encontrava no 366º lugar.
Em sentido contrário, no ranking de exames, a escola desceu três posições, passando do 39º para o 42º lugar. A média dos exames foi de 13,93 valores, ficando 0,27 valores abaixo da média esperada para uma escola com perfil semelhante, estabelecida nos 14,20 valores.
Relativamente ao percurso escolar, 93,48% dos alunos concluíram os cursos científico-humanísticos em três anos. O resultado fica acima da média nacional comparável, que se situa nos 91,51%.
Na comparação entre as classificações dos exames e as notas internas, a disciplina de português volta a servir de exemplo. Nas 61 provas realizadas, a média de exame foi de 14,84 valores, colocando o colégio na 47ª posição nacional. Já na classificação interna, a média atingiu os 16,52 valores, garantindo o sétimo lugar e colocando a instituição entre as dez escolas com melhores resultados neste indicador.
A análise do Observador apresenta uma perspetiva diferente, recorrendo a critérios próprios para ordenar os estabelecimentos de ensino.
Neste ranking, a Escola Secundária de Monção ocupa o 70º lugar no ranking de exames. Já no ranking de equidade, que procura avaliar as condições de igualdade de oportunidades e de acesso a direitos, bem como a distribuição de rendimentos e recursos, a escola alcança a 42ª posição. Segundo os dados apresentados, 23,3% dos alunos do agrupamento são considerados carenciados.
No total, foram realizadas 268 provas nas quatro disciplinas consideradas nesta análise: Biologia e Geologia, Física e Química, Matemática e Português. A média dos exames fixou-se nos 13,44 valores, enquanto a média das classificações internas atingiu os 15,69 valores.
Também, o Colégio do Minho apresenta uma classificação diferente nesta análise. A instituição ocupa o 49º lugar no ranking de exames, uma posição que contrasta com a classificação obtida no ranking do Público. No entanto, não dispõe de classificação no ranking de equidade, uma vez que este indicador não é apresentado para os estabelecimentos de ensino privados.
Nas quatro disciplinas analisadas pelo Observador, o Colégio do Minho registou uma média de 13,88 valores nos exames nacionais, enquanto a média das classificações internas foi de 15,99 valores. No total, foram contabilizadas 211 provas.
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