O Parque da Cidade de Viana do Castelo acolheu a iniciativa “SuperAção”, promovida pela Associação de Paralisia Cerebral de Viana do Castelo (APCVC), que procurou proporcionar “um dia de desporto, inclusão e experiências para todos, sem limites”.
O evento reuniu mais de 110 participantes de 16 instituições de diferentes pontos do país, incluindo Braga, São João da Madeira e Espinho, que tiveram a oportunidade de experimentar mais de 13 modalidades de desporto adaptado. A iniciativa procurou demonstrar que a deficiência não deve constituir um impedimento à participação desportiva e social.
“Não são as nossas características individuais, não é a nossa incapacidade que nos define. É a vontade de querermos fazer e é isso que nos une”, sublinhou Ana Isabel Silva, diretora técnica do Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão da APCVC.
A responsável explicou, ainda, o significado do nome da iniciativa, destacando a importância de promover a participação ativa através do desporto e de outras atividades recreativas. “O termo SuperAção é mesmo isso: é superação através da ação. Tornarmo-nos mais ativos através do desporto, através de atividades recreativas como a música e a dança, e mostrarmos que nos conseguimos superar”, afirmou.
Numa sociedade em que persistem preconceitos associados à deficiência, a diretora técnica defendeu a importância de promover a participação plena destas pessoas na comunidade.
A capacitação dos profissionais que acompanham pessoas com deficiência constitui igualmente um desafio. Para Ana Isabel Silva, é fundamental investir na formação contínua e acompanhar a evolução do conhecimento científico, dado que o “conhecimento avança muito rapidamente e nós temos de acompanhar essa evolução, de forma a estarmos sempre atualizados na prática. Por isso, a busca do conhecimento aliado à prática científica é extremamente importante”, frisou.
Vinte anos depois da criação da APCVC, persistem desafios ao nível da acessibilidade e da resposta às necessidades das pessoas com deficiência. Filomena Araújo, presidente da associação, reconheceu, contudo, os progressos alcançados ao longo das últimas duas décadas, “se olharmos para vinte anos atrás, obviamente melhoramos muito, mas não podemos dizer que já atingimos tudo, porque não atingimos”, afirmou.
A responsável alertou, ainda, para a falta de adaptação dos espaços públicos às diferentes necessidades de mobilidade: “Há muita coisa que tem de mudar no ambiente em que vivemos, nós ainda não temos cidades adaptadas a qualquer tipo de problema de mobilidade”, apontou.
A criação da APCVC surgiu precisamente da necessidade de aproximar os serviços de apoio da população do Alto Minho. Antes da existência da associação, as crianças, os jovens e os adultos com paralisia cerebral que necessitavam de acompanhamento tinham, em muitos casos, de se deslocar ao Porto para aceder a respostas especializadas.
Atualmente, a APCVC é o único centro deste género no distrito, uma realidade que, segundo Filomena Araújo, continua a colocar dificuldades na capacidade de resposta, assegurando a existência de “muitas limitações, porque temos de responder ao distrito inteiro e não chegamos”, acrescentando que a associação está a procurar, junto da Segurança Social, soluções que permitam alargar as respostas existentes.
Filomena Araújo rejeitou, ainda, a ideia de que a deficiência seja incompatível com a concretização de projetos pessoais e profissionais, defendendo que “ter uma deficiência não é limitativo de fazer desporto, não é limitativo de seguir para uma universidade, não é limitativo de ter uma família, de ter uma casa, de conduzir um carro. A grande maioria dos nossos utentes fá-lo”.
Também os padrinhos da iniciativa, o canoísta Fernando Pimenta e a surfista Marta Paço, destacaram a importância do desporto adaptado enquanto instrumento de inclusão e de combate ao isolamento social.
Fernando Pimenta defendeu a necessidade de abandonar uma visão assistencialista da deficiência e valorizar as capacidades de cada pessoa em que “em vez de ficarem a ser tratados quase como coitadinhos, são utilizados como exemplos de superação, de resiliência e de trabalho, e são logo automaticamente incluídos em programas de reabilitação através do desporto”.
Por sua vez, Marta Paço destacou a importância de dar visibilidade às pessoas com deficiência e de garantir que estas possam usufruir dos espaços públicos em condições de igualdade, salientando a necessidade de “aproveitar estas iniciativas para nos dar a todos visibilidade, para mostrarmos às cidades e às pessoas que nós também estamos aqui, que nós também podemos e queremos utilizar os espaços”.
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