Viana do Castelo entre os distritos com mais atropelamentos de menores. GNR alerta para riscos na estrada e na água antes das férias

Os acidentes rodoviários continuam a atingir centenas de crianças e jovens em Portugal. Os dados da GNR mostram que os passageiros continuam a ser as principais vítimas, mas cresce também a sinistralidade entre menores que circulam de bicicleta. No Alto Minho, os atropelamentos de crianças e adolescentes mantêm-se acima da média de vários distritos do país.

Micaela Barbosa
1 Jun. 2026 5 mins

A poucas semanas do final do ano letivo e do início das férias de verão, a Guarda Nacional Republicana (GNR) divulgou um retrato da sinistralidade rodoviária e dos afogamentos envolvendo menores de idade, reforçando os apelos à prevenção junto de pais, cuidadores e comunidades.

Os números abrangem os anos de 2024, 2025 e os primeiros quatro meses de 2026 e revelam que só enquanto passageiras de veículos, 1.196 crianças e jovens até aos 16 anos ficaram feridos ou morreram em acidentes rodoviários em 2024. Em 2025, o número subiu para 1.271 vítimas. “A segurança das crianças depende inteiramente da responsabilidade e da atenção dos adultos”, sublinha a GNR, defendendo uma vigilância reforçada durante o período de férias escolares.

Passageiros continuam a ser as principais vítimas

A categoria que concentra mais ocorrências é a das crianças transportadas em veículos. O grupo dos 11 aos 16 anos destaca-se como o mais afetado, contabilizando 496 vítimas em 2024 e 478 em 2025.

O ano passado ficou ainda marcado por cinco vítimas mortais nesta categoria: quatro crianças entre os 6 e os 10 anos e um jovem entre os 11 e os 16 anos.

Os distritos mais populosos continuam a concentrar os números mais elevados. Porto e Braga surgem entre os territórios com mais vítimas registadas, refletindo também uma maior intensidade de circulação rodoviária.

Em Viana do Castelo, os acidentes envolvendo passageiros menores provocaram 46 vítimas em 2024 e 42 em 2025. A maioria dos casos ocorreu na faixa etária dos 11 aos 16 anos, com 20 vítimas em cada um dos anos analisados.

Viana destaca-se nos atropelamentos de menores

É, porém, na condição de peões que o distrito de Viana do Castelo apresenta um dos indicadores mais preocupantes da região Norte.

Em 2024 foram registados 20 atropelamentos envolvendo menores até aos 16 anos no distrito. Em 2025, o número manteve-se elevado, com 19 vítimas.

A maioria dos casos concentrou-se novamente nos adolescentes entre os 11 e os 16 anos. Este grupo representou dois terços dos atropelamentos registados em Viana no último ano.

A nível nacional, os atropelamentos causaram 234 vítimas em 2024 e 236 em 2025. Houve ainda três mortes nos dois anos analisados: duas crianças entre os 6 e os 10 anos em 2024 e um adolescente em 2025.

Os distritos do Porto e de Lisboa lideram os registos nacionais, mas Viana do Castelo apresenta números superiores aos de vários distritos do interior e comparáveis aos de algumas zonas urbanas de maior dimensão.

A GNR alerta para a necessidade de reforçar os comportamentos seguros junto das crianças, nomeadamente a utilização de passadeiras, o contacto visual com os condutores antes da travessia e a eliminação de distrações como telemóveis ou auscultadores.

Acidentes com bicicletas continuam a aumentar

Outra tendência que merece atenção é o crescimento da sinistralidade entre menores que conduzem velocípedes.

Os números nacionais passaram de 325 vítimas em 2024 para 406 em 2025, um aumento superior a 24%.

Mais de 95% dos casos envolvem jovens entre os 11 e os 16 anos, faixa etária que registou 307 vítimas em 2024 e 389 em 2025.

Em Viana do Castelo, os acidentes com bicicletas atingiram 15 jovens em 2024 e oito em 2025. Apesar da redução local, os dados provisórios de 2026 apontam já para seis vítimas até ao final de abril. “A utilização do capacete assume-se como fundamental”, recorda a GNR, que recomenda que as crianças utilizem a bicicleta apenas em locais seguros e afastados do tráfego rodoviário.

Afogamentos diminuíram, mas continuam a preocupar

Paralelamente à sinistralidade rodoviária, a GNR chama a atenção para os afogamentos de menores, um fenómeno que classifica como “um verdadeiro perigo silencioso”.

Os casos registados passaram de 11 em 2024 para cinco em 2025, representando uma redução superior a 50%.

Apesar da descida, as autoridades mantêm a preocupação devido ao perfil das vítimas e às circunstâncias dos acidentes.

As crianças entre os zero e os quatro anos representam o grupo mais vulnerável, concentrando cerca de um terço dos casos. Nestes episódios, os afogamentos ocorreram, sobretudo, em piscinas privadas, mas também em tanques e poços.

Entre os jovens dos 10 aos 14 anos, o risco desloca-se para ambientes naturais, como praias, rios, lagoas e praias fluviais.

No distrito de Viana do Castelo não foram registados afogamentos de menores nos anos de 2024 e 2025, segundo os dados divulgados pela GNR. Em contraste, Braga contabilizou dois casos em 2024 e um em 2025, enquanto Santarém liderou os registos do último ano com três ocorrências.

Dos cinco casos registados em 2025, três provocaram ferimentos graves e dois resultaram em ferimentos ligeiros. Não houve vítimas mortais.

O desafio do verão

A divulgação dos dados coincide com a aproximação da época balnear e do período de férias escolares, altura em que aumenta significativamente a exposição das crianças ao trânsito e aos ambientes aquáticos.

Para a GNR, a prevenção continua a ser a principal ferramenta para reduzir estes números.

A instituição recomenda a utilização sistemática de cadeirinhas homologadas e cintos de segurança, mesmo em percursos curtos, o incentivo ao uso de capacete nas deslocações de bicicleta e uma supervisão permanente das crianças junto da água. “No caso das crianças mais novas, a supervisão deve ser feita a uma distância que permita tocar-lhes imediatamente”, alerta a Guarda.

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