No Alto Minho, há idosos que passam dias sem falar com ninguém. Sónia Fernandes decidiu que isso não podia ser normal e começou a bater-lhes à porta.
Há sete anos, criou o projeto “Acompanhamento ao Idoso”, que presta apoio domiciliário a seniores em Arcos de Valdevez e Ponte da Barca. Ao seu lado está Stephanie, colaboradora e familiar, que ajuda a dar resposta a um serviço que cresce sobretudo através do passa-palavra. “Mais que um gosto, é uma paixão. Gosto de cuidar, de acompanhar, de fazer a diferença”, diz Sónia, sem hesitar.
A ideia não surgiu por acaso. Depois de trabalhar numa instituição, em França, percebeu que queria fazer diferente: mais próximo, mais humano, mais centrado na casa de cada idoso. “É disto que eu gosto. É isto que eu quero fazer”, afirma.
Portugal é, hoje, um dos países mais envelhecidos da Europa. Em 2026, mais de 23% da população tem 65 ou mais anos, e o índice de envelhecimento continua a subir.
No Alto Minho, os números são ainda mais expressivos. A saída de população jovem e a emigração deixaram para trás um território envelhecido, onde muitos idosos vivem sozinhos e longe das famílias.
A solidão instalou-se, muitas vezes, sem que ninguém dê por ela. “Há muitos idosos sem família por perto”, explica Sónia.
Apesar de tudo, as respostas formais continuam limitadas. As listas de espera para lares prolongam-se, e nem sempre essa é a solução desejada. “Os idosos preferem estar em casa”, sublinha.
O projeto presta serviços como higiene pessoal, alimentação, limpeza, acompanhamento a consultas e apoio no dia-a-dia. Mas, segundo Sónia, isso é apenas uma parte do trabalho. “Podemos estar uma ou duas horas a conversar. Não é só fazer. É estar”, conta.
Essa presença torna-se essencial, sobretudo, em contextos de isolamento.
Stephanie, responsável também pelo contacto com famílias, confirma o impacte. “Os idosos ficam muito contentes com o trabalho”, assegura.
Ainda assim, nem tudo é visível à superfíc
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