Compasso Pascal regressa em pleno às paróquias

Após quase três anos de restrições, devido à pandemia de convid-19, os compassos pascais regressam às ruas da Diocese de Viana do Castelo para viver a Páscoa em pleno, onde o anúncio da Ressurreição é o foco, mas onde o encontro entre as pessoas é igualmente importante.

Notícias de Viana
30 Mar. 2023 4 mins
Compasso Pascal regressa em pleno às paróquias

Filipe Barros tem 56 anos e é sacristão da Paróquia de Perre, no Arciprestado de Viana do Castelo. Tem recordações da Páscoa enquanto “garoto” que acompanhava os pais, mas foi em 1995 que começou a ter alguma responsabilidade no compasso. “O meu papel é orientar o compasso pascal, cumprindo com o horário pelas zonas da paróquia. Faço-o desde que o Pe. Nuno assumiu a paróquia”, explicou, acrescentando que começou por levar a caldeira. “Mais tarde, ‘subi de posto’, mas só ganhei mais trabalho”, referiu, entre risos, assegurando: “Faço-o com muito gosto.”

Para o sacristão, a Páscoa continua a ser uma festa “muito importante” porque “não se trata apenas da parte religiosa”. “A Páscoa é uma maneira de juntar os amigos e a família, fomentando o encontro entre as pessoas. Não se trata apenas de uma festa religiosa. Há ainda a parte cultural que é igualmente importante”, salientou, considerando: “Nestes tempos, sinto que as pessoas esquecem as agonias da vida, tornando a Páscoa como um momento de alegria. E é isso mesmo que representa através do anúncio de Jesus Cristo ressuscitado”.

Sebastião Barbosa, de 56 anos, que traz consigo as memórias do “toque da campainha”, da “azáfama de querer visitar toda a família e amigos”, do “gesto de beijar a cruz” e da “animação da música”, revela que vai viver o compasso pascal de uma maneira “mais intensa”, salientando a “vivência familiar” que o momento permite. Natural da paróquia de S. Pedro de Barroselas, fala de um “momento de partilha de Cristo ressuscitado, de alegria, de amizade na esperança de uma vida nova”, assumindo que se trata de um “tempo de reflexão, de mudança e de partilha com o próximo e com a comunidade”. “Tudo isto trespassando alegria”, sintetiza.

Em tempos de pandemia, Filipe Barros sentiu falta do convívio entre as pessoas e, por isso, celebrar a Páscoa em 2023 é “urgente”. “Hoje mais do que nunca, as pessoas precisam de regressar à normalidade para conviverem. Só assim se cria laços”, disse, mostrando-se “ansioso” com o regresso do compasso pascal às ruas de Perre.

Já André Fernandes, de 31 anos, é da paróquia de Arcozelo, no Arciprestado de Ponte de Lima e vai presidir a um dos cinco compassos pascais. “Vou viver a Páscoa da forma mais intensa possível até porque para quem vive a fé sabe que este é um dos momentos altos do Tempo Litúrgico”, disse, contando: “Sempre fui uma pessoa ligada à igreja, mas antes de integrar o compasso dizia que era algo que não queria porque não me sentia tão bem preparada como outras pessoas, mas como, infelizmente, tem sido difícil encontrar pessoas para presidir, fizeram-me o convite e aceitei.”

O paroquiano assegura que “tem sido uma grande honra” presidir ao compasso pascal. “Nós levamos a alegria e a mensagem de Cristo Ressuscitado à casa das pessoas”, frisou, acrescentando: “Temos assistido a uma diminuição de casas abertas, mas quem abre mostra a sua alegria em nos receber em suas casas.”

André Fernandes defende ainda que, apesar dos tempos conturbados, “faz sempre sentido celebrar a Páscoa”. “Deixa-me triste que a sociedade cresça cada vez mais afastada de igreja, mas faz sentido celebrar porque a nossa Europa preciosa de reviver e pôr no centro os valores da igreja”, assegura, confidenciando que, cada vez mais, vê pessoas que não estão ligadas à igreja nas casas que abrem as suas portas para receber o compasso. “Embora participem pelo convívio familiar, acabam sempre por ficar com alguma coisa”, considera, terminando: “Nós não podemos ter vergonha de sermos cristãos e, por isso, damos o nosso contributo e mostramos a nossa fé através destas manifestações que acabavam sempre por tocar em alguém. Não podemos esmorecer por causa das pessoas que estão afastadas.”

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